Opinião
JERSAN ARAÚJO
Começou a campanha política e com ela os pedidos mais absurdos dos eleitores. Até parece que a maioria deles não conhece as determinações da Resolução do TSE que proíbe os candidatos de favorecer pessoalmente o eleitor. Distribuição de camisetas, por exemplo, está proibida. Um candidato a vereador de uma cidade do interior enviou-me um e-mail onde diz que na primeira visita que empreendeu de casa em casa para pedir votos, ficou apavorado com as “solicitações recebidas.”
Conta ele que um rapaz de 20 anos pediu-lhe, simplesmente uma Moto Honda zero, o pai dele, três milheiros de telha e a mãe, R$ 500 para colocar alguns débitos em dia, inclusive conta de luz. “Se eu me dispusesse atender, por baixo, cada voto desses me custaria mais de R$ 3 mil” – calculou. Acontece que as pessoas em condições de vida beirando à miséria, vislumbram, apenas nessas ocasiões, o momento de realização pessoal. Imaginem o que essa gente não pede aos candidatos a prefeito?...
Aqui mesmo na capital a coisa não é fácil. Encontrei-me na última quinta-feira com um vereador, candidato à reeleição, um tanto quanto desanimado. “Fui convidado por um amigo para uma reunião com os vizinhos dele que, segundo suas palavras gostariam de me conhecer. Acertei o dia e a hora e fui. A conversa foi animada. Mostrei parte do meu trabalho, o que já havia feito pelo bairro. Comentei a Resolução do TSE que normaliza a campanha deste ano... Mas, no final de tudo, parece que as 20 pessoas que participavam da reunião não entenderam nada e os pedidos foram os mais absurdos que você possa imaginar.”
Pensa-se, às vezes, que com a expansão do setor educacional, com mais jovens nas escolas, estudando, houvesse mais conscientização política. Que o voto fosse dado não àqueles que oferecem vantagens pessoais, mas, àquele que trabalha pelo conjunto da população, que já mostrou competência e vontade de trabalhar, no sentido de amenizar o sofrimento do povo. Um candidato com esse perfil, aí sim, cria a possibilidade de empregar mais e melhorar a condição de vida de muitos jovens e de pais de famílias. A maioria, infelizmente, não pensa assim. Mas é preciso continuar trabalhando a consciência do eleitorado.
OFERTA CABELUDA
Recebi uma denúncia grave e cabe ao Ministério Público apurar, que um candidato a prefeito estaria pagando R$ 800,00 por mês para os proprietários de carros que aceitam colocar adesivos publicitários da campanha. Particularmente não acredito que com todo esse “aperto” anunciado pela Justiça Eleitoral e pelo Ministério Público um candidato tenha “peito” para promover tal ilegalidade. Mas não custa apurar essa denúncia cabeluda.
MAIS UMA PESQUISA
Comentam-se, nos bastidores que por esses dias será divulgada mais uma pesquisa de intenção de votos em São Luís. Desta feita os eleitores teriam sido consultados sobre os candidatos a prefeito e, também, a vereador. Essa informação deixou “vereador velho de guerra” muito apreensivo. E por falar nisso, na Câmara Municipal os palpiteiros de plantão fazem previsões diárias sobre quem volta e quem não volta. Esses comentários levaram alguns dos nossos representantes à cama. A dor de cabeça está incomodando muita gente.
AS VAIAS E TADEU
O prefeito Tadeu Palácio não esperava ser vaiado ao passar por um grupo de adeptos da candidatura de João Castelo, semana passada. Ficou sem graça, sem paz de espírito diante da surpresa. Castelo tem dito nos bairros por onde passou que São Luís merece ser administrada com mais competência e dinamismo. “Os bairros precisam ser recuperados e seus moradores de uma qualidade de vida melhor”. É. Na verdade o prefeito “penteia” e põe “laquê” nas avenidas, para dá uma aparência bonita à cidade, mas esqueceu a maioria dos bairros, exatamente aonde se concentra a maioria dos eleitores. Castelo quer curar essa ferida.
E-mail: jersan.araujo@gmail.com