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HISTÓRICO ELEITORAL DOS CANDIDATOS A PREFEITO

HISTÓRICO ELEITORAL DOS CANDIDATOS A PREFEITO

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Data de Publicação: 26 de julho de 2008
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Arleth Borges

Desde que foram inventadas, as eleições têm passado por muitas mudanças. Hoje, elas se apresentam como um fenômeno de massas que escapa ao círculo muito restrito das rodas de notáveis ou meia dúzia de oligarcas nada notáveis. Isto é importante por que, não faz muito tempo, aqui mesmo no Maranhão, candidaturas e resultados eleitorais eram decididos em pequenas rodas de correligionários governistas, interessados não na democracia ou no desenvolvimento do estado, mas na garantia de apoio aos amigos e desestabilização dos adversários; com tais motivações os candidatos eram sempre os amigos de confiança, independentemente de que estes tivessem que ser pinçados em estados diversos e distantes. Com a massificação das eleições e a fragmentação dos grupos oligárquicos, as campanhas ficaram mais competitivas e n’alguns aspectos possibilitaram que o envolvimento do “eleitor soberano” ganhasse sentido menos ficcional. Nesse contexto, trunfos particulares de cada candidato, como a sua performance em disputas anteriores, ganham importância maior e essa força individual emerge como critério importante tanto da seleção de candidatos como da avaliação de suas chances de êxito.

Desempenho em campanhas para deputado federal: Votação total e em São Luís

Ressalte-se que cada pleito é específico e único sob vários aspectos e por isso, não é razoável inferir de uma eleição projeções seguras para outra(s), pois, variando os cargos em disputa, as alianças político-partidárias, os adversários e os recursos de campanha, variam também as percepções e preferências do eleitor, o que faz do voto uma questão muito complexa, insuscetível de ser enquadrado nesta ou naquela teoria ou experiência. Apesar destes senões, o desempenho dos candidatos em pleitos anteriores é sempre um indicador importante a ser considerado. Vejamos, então, os dados do TSE referentes ao desempenho dos candidatos a prefeito de São Luís nas últimas eleições, ressalvando-se, porém, que embora o ideal fosse comparar resultados nas mesmas disputas e para os mesmos cargos, nem sempre isso será possível pois a dinâmica da política não é ditada pelos esquemas analíticos. Diante dessa dificuldade, vejamos as disputas por cargo específico comparando os candidatos entre eles e com seus próprios desempenhos anteriores.

Nas eleições para prefeito de São Luís, só temos uma situação em que parte dos atuais candidatos se confrontaram, no caso João Castelo e Pedro Fernandes, em 1996. Nesta ocasião, Castelo obteve 36,7% dos votos enquanto Fernandes recebeu 7,46%. Essa eleição, entretanto, foi ganha por Jackson Lago, que obteve 48,18% dos votos no primeiro turno e 56,83% no segundo turno, disputado com Castelo. Na ausência de outros confrontos entre os atuais candidatos, cabe observar a trajetória particular de João Castelo, que realiza neste ano sua quarta tentativa de eleger-se prefeito de São Luís. Sua primeira candidatura ocorreu em 1996, quando conquistou 111.311 votos (36,71%); em 2000 obteve 111.457 (30,56%) e em 2004, obteve 148.450 votos (33,59%). Constata-se que a persistência na disputa revela pequena oscilação na votação, não ultrapassando, porém, a casa dos 30% do eleitorado.

Um dos ângulos mais privilegiados para essa observação são as campanhas para deputado, principalmente deputado federal, pois nestas temos a participação simultânea e continuada de vários dos atuais candidatos. Para que esse exercício não se distancie demais da disputa municipal em foco, é importante atentar para a votação em São Luís (entre parêntesis).

Na tabela, o que primeiro chama atenção é o grande número de mandatos do candidato Gastão Vieira, que é deputado federal por quatro mandatos consecutivos, que correspondem a 16 anos; em seguida vem o deputado Pedro Fernandes, com três mandatos (12 anos) e os deputados Cleber Mendes e João Castelo, cada um com dois mandatos; Flávio Dino e Waldir Maranhão estão no primeiro mandato. Quanto à votação, a de Cleber Verde teve significativo aumento entre 2002 e 2006, registrando-se também igual crescimento em São Luís; A votação de Flávio Dino pode ser considerada notável tanto no geral como em São Luís por tratar-se de sua primeira candidatura a cargo eletivo; João Castelo tem expressiva votação tanto no estado como em São Luís, o que deve ser analisado juntamente com o fato de que entre todos, foi o único que já exercera os cargos de governador do estado e senador; Gastão Vieira teve um crescimento significativo no desempenho global que dobrou entre 1996 e 2006, mas em São Luís, sua votação embora tenha crescido entre 1994 e 1998, permanece estável na faixa dos cinco mil votos; Waldir Maranhão, também em sua primeira disputa, obteve significativa votação em São Luís.

Acrescente-se à esta performance eleitoral dos candidatos que muitos deles já concorreram à Assembléia Legislativa: Cleber Verde candidatou-se mas não foi eleito em 1998, quando obteve 5.507 (3.284 em São Luís). Nessa mesma eleição, Clodomir Paz candidatou-se e não foi eleito, obtendo 6.989 votos ( 1.735 em São Luís); na eleição anterior, entretanto, em 1994, foi eleito deputado estadual com 14.595 votos, sendo 1.166 em São Luís. Paulo Rios candidatou-se em 2002, conquistando 3.539 votos (2.739 em São Luís); Raimundo Cutrim foi eleito em 2006 com 40.627 votos, sendo 19.724 em São Luís; e Welbson Madeira candidatou-se em 1994, recebendo 216 votos, dos quais 176 em São Luís.

Pelos números, Cleber Verde, João Castelo e Flávio Dino (não necessariamente nessa ordem alfabética) têm demonstrado maior força eleitoral, entretanto nem só de eleições passadas se definem as eleições do presente. É fundamental considerarmos outros recursos de poder acionados por cada um dos candidatos e a força dos mesmos diante dos eleitores.

Arleth Santos Borges é Doutora em Ciência Política, professora de Sociologia e Antropologia da Ufma e escreve para o Jornal Pequeno quinzenalmente (sextas-feiras).

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