SILÊNCIO!
A MARANHENSIDADE CHORA POR MESTRE FELIPE
O nosso último encontro foi recentemente e claro em uma apresentação do seu tradicional grupo de Tambor de Crioula União de São Benedito. Estávamos elaborando para SECMA um relatório do São João da Maranhensidade deste ano, precisamente no dia 23 do mês p.passado, em plenas festas juninas no Arraial do CEPRAMA, quando conversamos demoradamente com o amigo Mestre Felipe, notamos que se encontrava abatido, depauperado, mantido por parentes numa cadeira ao lado dos coreiros, praticamente impossibilitado de fazer o que mais gostou na vida tocar, reger, coordenar o seu Tambor de Crioula, Felipe Neres Figueiredo, o nosso estimado guerreiro da Maranhensidade Mestre, com M bem maiúsculo Felipe, o percussor de uma Escola do Tambor de Crioula Brasileiro, diga-se desta forma em virtude de o Maranhão ser uno nessa manifestação folclórica considerada Patrimônio Cultural Imaterial Nacional.
Ficamos assim, com a imagem de um valioso sorriso, o qual não poderia imaginar que seria o da nossa despedida desta Galáxia. Quando puxamos conversa sobre a não utilização no seu grupo da matraca, a qual os demais grupos de Tambor de Crioula fazem um ritmo mais vibrante, repenicando os dois pedaços de paus atrás no tambor grande. O Mestre riu e brincou conosco: “Reis tu no deixa passar nadinha. É o homem da nossa istora!...Rapaz matraca é de Bumba-boi no é deste tambô!” Após longas risadas nos abraçamos e ele nos disse: “Lá pra as bandas de onde eu nasci in São Vicente de Férrer, no demorou logo cedo no sabia nem falar adireito, mas já tocava tambô! E era desse jeito sem matraca. E me alembro cuma se fosse hoje. Pur isso qui te digo matraca é pra Bumba-boi!” Realmente Mestre amigo não temos certeza de que lá pela Baixada, região de sua cidade natal, existem outros remanescentes desse seu ritmo ímpar do Tambor de Crioula, mas sem sombra de quaisquer dúvidas foi o companheiro guerreiro Felipe, que divulgou e fez com que esse estilo do tambor mais popular do Maranhão, passasse muitas vezes despercebido da não utilização da histórica matraca. O mais importante agora é de que haja continuidade desta herança deixada por Mestre Felipe para a maior glória do nosso tesouro cultural que é o Tambor de Crioula.
Sabemos que o Mestre em companhia de outros tantos valorosos baluartes, que além de amigos os consideramos como irmãos deve estar bem tranqüilo na paz e na companhia do Senhor dos Mundos, o Pai Celestial, pois há um bom tempo que o compositor, poeta popular Felipe já previa em seus cânticos de coureiro-mor: “Eu vou mais o meu mano. Eu vou, eu vou / Eu vou mais o meu mano / eu vou.