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Carolina – paraíso das águas e das belas paisagens

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Data de Publicação: 25 de julho de 2008
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Por Eudes Oliveira de Alencar

Especial para o JP Turismo

Está cansado da praia, areia e da aflição urbana em que São Luís se tornou? Então, em suas próximas férias reserve uma boa dose de disposição para enfrentar os pouco mais de 800 quilômetros entre a capital e Carolina, cidade conhecida pelas belas cachoeiras, no sudoeste maranhense. Quer dizer, a aventura começa com a viagem. Mas não se preocupe, pacotes de viagem para a cidade podem incluir o traslado até Carolina a partir de Açailândia, local de desembarque do trem da Vale (saída do Anjo da Guarda) depois de 9 horas. A passagem de trem é por conta do turista.

Para os motoristas que gostam de se aventurar nas estradas há duas opções. Opção 1: ir por Imperatriz e enfrentar 200 quilômetros de curvas, subidas e ladeiras bem inclinadas que começam logo depois de Santa Luzia do Tide. É preciso cuidado em trechos como entre Arari e Santa Inês. A estrada está bem ruim e os trabalhos de reparo dos buracos são uma vergonha e o Denit ainda paga pelo serviço. Opção 2: Ir por Presidente Dutra. Você foge do trecho de curvas mencionado. O asfalto é mais trafegável. Vai sair direto em Porto Franco, a apenas 122 km de Carolina.

Optamos pelo carro e fomos por Imperatriz. Esta escolha nos economizou mais de R$ 700,00, que era o quanto gastaríamos com o traslado, ida e volta. De passagem de trem da Vale, dois adultos e duas crianças (até 12 anos), na classe executiva, fica R$ 306,00. As operadoras cobram R$ 400,00 para o transfer Açailândia / Imperatriz / Açailândia, sem contar com a passagem até Carolina. Fica a dica. Saímos por volta de 8 horas e chegamos às 19:15 a uma velocidade média de 110 km/h. Devagar para apreciar uma paisagem diferente das que estamos acostumados, incluindo parada para almoço em Buriticupu. Lá, na Churrascaria O Sergipano, é possível ter uma refeição de qualidade e preço acessível, com café e sobremesa grátis. Não é preciso dizer que o carro deve passar, antes, por boa revisão para agüentar o tranco.

O roteiro que escolhemos dá para ser feito em cinco dias – dois para ir e voltar e os outros três destinados à diversão. A programação estava recheada de passeios a cachoeiras e riachos e lhes digo, a parca propaganda da região não lhe faz justiça. Uma coisa é olhar a foto de uma cachoeira, outra bem diferente é vê-la, o barulho da água caindo, o vapor das gotículas, em alguns casos, formando pequenos arco-íris. A água fria, às vezes quente, uma ao lado da outra. A água quente sai de dentro da pedra, em alguns lugares dizem que é mineral

O nosso primeiro passeio foi o Portal da Chapada. A paisagem do lugar é belíssima, recortada por paredões de arenito e as plantas do cerrado. Do portal da Chapada se tem uma ampla vista da região. O lugar fica em cima de um morro numa formação (abertura) que lembra o mapa do Piauí. Não houvesse as plantas, é como se estivéssemos naqueles desertos dos antigos faroestes spaguetti.

Depois disso, fomos ao local onde seguimos uma trilha de 4 km (ida e volta) até a Cachoeira da Pedra Furada que tem uma queda d’água de 32 metros de altura e logo depois segue-se por outra trilha por 30 minutos com destino ao santuário da Pedra Caída que tem uma queda d’água de 46 metros de altura.

A estrutura do local que dá acesso a essas duas cachoeiras é boa e... cara. Um refrigerante de 2 litros custar R$5,50 é um pouco demais. No segundo dia, visitamos Poço Azul e Encanto Azul, além da Cachoeira de Santa Bárbara, a maior que visitamos e a segunda maior em altura de toda a região sul, tem cerca de 76 metros. Isso depois de percorrer de carro, por conta da operadora de turismo, cerca de 105 km de Carolina até Riachão. Seria bom que os moradores daquela região lembrassem em quem votaram nas últimas eleições para deputado federal. A estrada é cheia de buracos. O que poderia ser feito em pouco mais de uma hora, leva até três horas para ser percorrido. No último dia, visitamos as cachoeiras de Capelão e Caverna, que ficam próximas da cidade de Carolina, pouco mais de 30 km.

Cada lugar apresenta sua própria dificuldade de acesso. A palavra dificuldade não é negativa, quero dizer distância, caminhadas, descidas íngremes que o turista tem que enfrentar. Para o espírito aventureiro é desafio e não algo ruim. Tudo é devidamente recompensado pela paisagem e banhos. Convém lembrar que, neste caso, certos lugares são contra-indicados para crianças pequenas ou pessoas com algum nível de limitação na locomoção. Mas isso o guia informará.

Encanto azul, lugar de beleza paradisíaca e a oportunidade de enxergar peixes no fundo da lagoa

Portal da chapada: a paisagem recompensa a subida

Cachoeira de Capelão, uma das mais belas da região

Já a cidade de Carolina é aconchegante. Existem várias opções de alimentação de modo que os urbanóides não sentirão falta de uma boa pizza, sanduíches e comida decente. Os preços são razoáveis. Além das cachoeiras, a cidade está à margem do Rio Tocantins no qual, na cidade de Estreito, se constrói a barragem hidrelétrica. Não experimentamos, certamente numa próxima vez, os passeios pelo rio que podem incluir pescaria. Há várias opções de trajetos.

Esqueça celular. As operadoras não sabem que Carolina existe e se sabem, não lembram de melhorar a cobertura. Orelhões servem apenas como decoração kitsch. Caso precise se comunicar, arranje-se com um telefone particular ou, dependendo do dia, enfrente a fila do posto da cidade.

Uma atividade que começa a ganhar adeptos são os esportes radicais. A região tem vários lugares adequados para a prática de rapel, tirolesa, trekking, entre outros. Falta alguém inventar uma descida de bóia por um dos rios. Experimentei a tirolesa em Pedra Caída. Se você considera o valor da emoção e não do dinheiro, vale pagar R$30,00 para atravessar um vale de 400 m de extensão a 120 m de altura no ponto mais fundo. É totalmente seguro e há coisas, diz aquela propaganda, que não tem preço.

Contratempos

Agora, falta ainda uma ampla e consistente ação governamental – estadual e municipal – e até dos próprios empresários dos lugares de passeio para profissionalizar os serviços oferecidos. Por exemplo: ficamos na Pousada dos Candeeiros, mas há outras com mesmo grau de conforto. O lugar é legal, um casarão do século XIX. Já o serviço... No café da manhã do primeiro dia descobri bolinho frito. Há anos não via um pela frente. Lembrei minha avó que vazia montes destes bolinhos para o café da tarde. No outro dia não vi o bolinho, perguntei à moça que servia a mesa, ela se virou para uma outra: ‘Fulana, tu vai fazer bolo frito?´ A outra, seca: ‘Eu não´. Nunca mais vi bolinho frito. O apartamento previa tv a cabo. Certo, ninguém vai para assistir tv, até porque chega à noite pregado. Agüentamos a Globo e quando questionamos, pois no apartamento vizinho havia mais canais, a “simpática” atendente disse que não tinha o que fazer e ficou por isso mesmo. Não nos deram o desconto, pois a diária neste tipo de apartamento era R$ 34,00 mais cara.

Na cachoeira de Santa Bárbara, o perigo está no corrimão totalmente improvisado que sugere sustentar quem nele se segure. As varetas fixadas por pregos não oferecem nenhum apoio e uma amiga de Teresina, que lá conhecemos, por pouco não caiu lá embaixo. O almoço no lugar é encomendado na hora que se chega. Custaria R$10,00 por pessoa, mas o dono disse que seria self-service. Na volta mudara de idéia e era no prato a R$12,00. Uma turista questionou esta malandragem e ele respondeu irônico: ‘É, tem mesmo comida aqui perto´. Ora, estávamos a mais 30 Km da cidade mais próxima. Estes pequenos exemplos revelam que falta treinamento, respeito ao turista e regras claras, além de segurança em certos lugares.

Bom, mas nem todos os prestadores de serviço têm estas atitudes nada acolhedoras. Recomendo a empresa do Marcelo, a Expedições Ecoturismo (o contato pode ser feito aqui em São Luís pela Caravelas Turismo, Daniel Contente, (98) 3232.6606). Marcelo é formado em Turismo, é simpático, pontual, paciente, ideal para trabalhar com grupos de todas as idades. Conhece bem a região e orienta sobre tudo o que se precisa saber para passeios agradáveis e divertidos. Uma pena que nem todo mundo por lá aprendeu que tem um tesouro nas mãos e maltratar o turista, não há beleza que agüente.

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