“Um governo que não se defende não é um governo”, disse uma vez o “Cavaleiro da Esperança”, Luiz Carlos Prestes. Não há, portanto, como criticar a decisão do governador Jackson Lago, de afastar de suas funções o Delegado Geral Jefferson Portela.
Estava ficando por demais evidente que as incursões dos adversários políticos do governador Jackson Lago contra secretários de Estado escolhidos a dedo, como Lourenço Vieira da Silva, Eurídice Vidigal, Aderson Lago e Edmundo Gomes, tinham nome e endereço certo, nasciam nas reuniões subterrâneas articuladas pelo grupo Sarney.
O Governo tomou sua defesa e mostrou aos maranhenses que a democracia, a divergência de opiniões e a liberdade de expressão são bem aceitas. Mas existe uma hierarquia a ser obedecida e não podem confundir complacência e compreensão com ausência de autoridade. O governador disse a todos os seus subordinados que há limites para as disputas internas e para a exposição pública das ocasionais divergências dentro das agremiações políticas que juntas administram o Estado.
O Jornal Pequeno já alertava, há algum tempo, sobre a presença de pessoas cooptadas pelo sarneisismo dentro das secretarias e autarquias governamentais. E a Segurança Pública, assim como a Educação, por características próprias, sempre foram os alvos preferenciais das oposições em todos os governos. Mas não estamos tratando aqui de oposição séria. Estamos falando de crises planejadas, arquitetadas, de crises compradas na tentativa vã de desestabilizar o governo Jackson Lago.
Se mais cuidadosamente analisarmos, chegaremos à conclusão de que os inimigos do Governo montaram uma verdadeira rede de espionagem, uma central de boatos, uma sociedade secreta de fuxicos e maledicências no objetivo pagão de afastar o governador de seu posto.
O governador Jackson Lago, do alto de sua história política, coerente com a autoridade de quem foi prefeito de São Luís por três vezes e, principalmente, como personagem central de uma oposição que se coligou para, pela via democrática, apear do poder uma oligarquia criminosa, venceu mais uma vez.
Sarney e todo seu séqüito acabam de saber que definitivamente não mandam mais no Maranhão, que já não podem mais comprar opiniões nem fabricar dissidências.
A História está repleta de golpes baixos como esse – e muitos deram certo – que se iniciaram pelo desmonte moral das instituições públicas, pela fragilização das autoridades através de uma escória que a tudo se presta. Mas diga-se que, no caso do Maranhão, não deu certo mais uma vez. Diga-se que o governador Jackson Lago, demitindo o delegado Jefferson Portela, talvez sem se aperceber disso, acaba de demitir José Sarney.