ACABOU O POSTE
RIO - Em 70, nomeado pelos militares governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, que estava instalando seu império político no estado, pôs o engenheiro Manoel Bonfim Dias Ribeiro, do DERBA (Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia), na região do São Francisco, como representante do governo. O "doutor Manoel Ribeiro era o "governador do São Francisco". Mandava e desmandava.
Em 74, Manoel Ribeiro saiu candidato a deputado estadual pela Arena. O governador mandou chamar o prefeito de Formoso do Rio Preto:
- Você vai dar 500 votos ao Manoel Ribeiro lá em Formoso.
- Mas, governador, já tenho compromisso de dar os votos de lá ao candidato do Jutahy a estadual.
- Nada disso. Preciso desses votos. E são 500. Não pode faltar um.
Se os votos não saírem, boto um cabo de polícia lá para comandar o destacamento e desmoralizar você. Não brinque comigo.
ANTONIO CARLOS
Vieram as eleições e os resultados. O prefeito de Formoso do Rio Preto viajou para Salvador, procurou o doutor Manoel Ribeiro:
- Doutor, infelizmente não pude cumprir tudo o que prometi. Só saíram 497 votos. Faltaram 3 para os 500.
Ribeiro lhe deu um abraço. Mas o prefeito continuava preocupado:
- Doutor, será que esse "Toninho Malvadeza" ainda vai ficar zangado por causa dos três votos que faltaram?
Não ficou. Mas o Manoel Ribeiro não se elegeu. Teve só 6.680 votos.
RIO
O senador Crivella teve entre 20% e 25% para senador em 2002, para prefeito em 2004, para governador em 2006 e continua agora com os mesmos 25% para prefeito. São os votos da poderosa Igreja Universal do tio Edir Macedo e suas centenas de templos e milhares de pastores no Rio. Mas tem uma rejeição brutal. O Rio quer um prefeito e não um "bispo".
César Maia já descobriu o óbvio: é bom de blog e ruim de transfusão. Toda eleição, a simpática Solange Amaral é fincada na beira da cidade como o poste apagado do prefeito. Paga o pato do desastrado terceiro mandato de César, que já apagou o de bom que fez no primeiro.
TRANSPOSIÇÃO
Faltam mais de dois meses para as eleições municipais. E falta, sobretudo a campanha pela TV e radio. Mas o caminhar do inicio da campanha em todo o país, principalmente nas grandes capitais, e as primeiras pesquisas, embora ainda muito precárias, já estão apontando para um sinal muito claro e muito importante: acabou o poste.
Essa história de que quem tem prestigio, poder e voto pode indicar um poste que elege, acabou. De norte a sul, os candidatos dos poderosos, se têm votos próprios somam com os transferidos, se não têm e esperam a transposição, continuam remando. E não parece que vai mudar muito.
Já tivemos um mês de campanha. Meia-campanha, mas campanha. E nas cinco maiores capitais até agora não houve surpresa nenhuma.
SÃO PAULO
Marta Suplicy (34%) e Geraldo Alkmin (30%) disputam o primeiro turno e Alckimin ganha de todos no segundo. O competente prefeito Kassab, apesar do apoio aberto do governador José Serra, tem 12% e está perto de Maluf (9%), que é uma urna do passado. Os outros são figuração.
BELO HORIZONTE
Urna não é rio que transpõe voto. Em Minas não se armou uma aliança, mas uma pororoca. O governador Aécio Neves com os 80% de apoio, o prefeito Fernando Pimentel com os 75% de aprovação, o PT e uma penca de partidecos uniram-se com o desconhecido (e candidato mais rico do país) Marcio Lacerda, ex-chefe de gabinete do ministro Ciro Gomes.
De fora ficaram o PC do B com a combativa deputada Jô Moraes (17%) e o PMDB com o jovem deputado Leonardo Quintão (15%). Até agora, o Marcio Pororoca não deslanchou. Tem 7%. O Palácio da Liberdade começa a tremer vendo seu poste ao léu.
SALVADOR
O governador Jaques Wagner apóia o deputado Walter Pinheiro, do PT, que, apesar de parlamentar exemplar, não consegue passar dos 8% que o partido sempre teve na capital com o teimoso deputado Pellegrino.
O prefeito João Henrique se elegeu em 2004 como um fenômeno de esperança. Virou um desastre. A repulsa da cidade é evidente. Nem os bilhões para obras públicas, que o infatigável ministro Gedel Vieira Lima já transpôs para ajudar a reeleição dele, o empurram para mais de 18%.
O segundo turno continua apontando para a disputa entre o excelente ex-prefeito Imbassahy (24%) com o jovem deputado ACM Neto (26%). Até saudade de baiano é devagar. Agora é que celebram, nele, a morte do avô.
RECIFE
O presidente da República querido em seu estado, o governador uma revelação política e administrativa, o prefeito reeleito com bom trabalho, juntaram-se todos com um só candidato. Mesmo assim, patina nos 22%. E o ex-governador Mendonça Filho, sem "posteiro" nenhum, tem 30%.
Jarbas, a maior figura eleitoral do Estado, vetou o candidato natural do PMDB, o deputado Cadoca, tomou-lhe a legenda e deu ao deputado Raul Henry. Cadoca, sem o dono do poste, arranjou uma legenda nanica e tem 20%. Henry, com a Chesf toda de Jarbas, parou nos 7%.
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