SÃO LUÍS NÃO ESTAVA AQUI
JM Cunha Santos (interino)
Os endereços não ficam em lugar nenhum;
Frio e calor dependem do controle remoto;
O crime é a essência de todas as classes sociais
E o charuto das pessoas importantes virou cocaína.
Não estavam edifícios na minha cidade quando eu corria as ruas balbuciando palavras de inconformismo. Não estavam lavadeiras eletrônicas, nem os Shoppings existiam por aqui.
Era tudo como se o passado fosse começar e navegadores, vindos de navio - porque não estavam também os aviões e naves espaciais – trouxessem cada um deles um pouco de século para viver.
Não estavam os televisores e, por isso, os beijos de amor só podiam ser trocados através das ondas de rádio ou quando moças rigorosamente completas se despissem tão azuis como se o mundo fosse começar.
Não estavam os computadores e, em virtude de tão poucos softwares e downlands, os livros tinham um ar de respeito, uma importância camuflada que enchia de orgasmo os que tinham respeito pelas palavras. Livros manuseados como se acaso guardassem alguma virgindade obscurecida que fosse preciso corromper.
Ah, Deus, os bandidos não estavam aqui e talvez nem existissem armas de fogo e só os remanescentes do cangaço se cortavam a facão na madrugada.
As drogas não circulavam de mão em mão e crianças amareladas contemplavam o por do sol sem poder imaginar a existência do futuro.
Mas o futuro chegou e rasgou toda poesia, transformando o romantismo em mercadoria de mau gosto, as lutas sociais em troca de favores, o romance em folha de pagamento e o compadrio em concurso público.
Nesse tempo se podia fumar e beber sem desobedecer as leis; se podia caminhar na madrugada, dar esmolas sem contribuir para a corrupção do homem. Nesse tempo o importante no leite era a vaca, não o vácuo.
E a história escorria entre nossos dedos, cheia de personagens míticos que libertavam, que se sacrificavam e cujos discursos não nos chegavam empacotados das Universidades.
Os habitantes eram poucos, mas as estórias eram muitas e um chinelo era mais importante para a educação que qualquer pós-graduação em Pedagogia. Todos os remédios curavam, todos os conselhos eram ouvidos; todos os ódios cabiam dentro de uma lata de leite ninho.
As varandas não eram tão limpas, mas as almas não eram tão sujas; as salas não estavam tão arrumadas, mas os corações disparavam à toa; os poetas não eram tantos, mas a poesia cativava; os adúlteros não tinham celulares, mas havia sempre um amigo disposto a levar bilhetes; não havia luz elétrica em todas as ruas, mas a lua não se negava a iluminar as lágrimas; os crimes não eram tantos, mas não havia essa feira livre de liminares.
Hoje tudo se move por automação. Os endereços não ficam em lugar nenhum; frio e calor dependem do controle remoto, o crime é a essência de todas as classes sociais e o charuto das pessoas importantes viraram cocaína.
Vez por outra, São Luís se emprenha de si mesma e um casarão colonial desaba; vez por outra se rompe a placenta da história e alguém surge sincero na política; vez por outra a poesia é permanente e o sol das 5 horas esfria até gelar as almas. Até quando se ouvem os passos dos escravos carregando São Luís nos ombros para sempre.
NASCENTES E MATAS CILIARES
JM Cunha Santos
A JORNALISTA Luciana Aquino informa que a Articulação do Semi-Àrido Maranhense em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais inaugurou o viveiro comunitário da localidade de Água Alva, município de Loreto e de Pastos Bons. O objetivo do Projeto Educação Ambiental e Mobilização Comunitária para a Proteção de Nascentes e Vitalização de Micro-bacias Hidrográficas no Leste do Maranhão – Projeto Olhos D’águas promovido pela ASAMA, com apoio financeiro da Secretaria de Estado e Meio Ambiente tem por objetivo revitalizar mananciais e matas ciliares de 15 municípios maranhenses degradados pela ação do homem. Paralelamente a esta ação foram implantados 09 viveiros para que as comunidades envolvidas no processo, cultivem as árvores e frutas nativas, reflorestem as áreas em volta dos olhos d‘agua e ao mesmo tempo comercializem as mesmas, gerando renda em um ambiente sustentável.
A proposta é que os viveiros produzam cerca de 10 mil mudas de árvores. A integrante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Loreto, Maria Camélia Costa, também membro da coordenação estadual, enfatiza que esta ação mobiliza e estimula a comunidade a trabalhar em equipe e em prol de uma causa justa, a conservação ambiental.
Esta intervenção social idealizada pela ASAMA com apoio da SEMA, desenvolvida em parceria com a comunidade, fortalece e incentiva o trabalho da sociedade civil, maior relação com a natureza e promove a sustentabilidade social, ressalta Josimar Coelho Neto presidente da Associação do Movimento Agrícola e Popular e coordenador da ASABrasil.
A proposta do projeto é estender os viveiros aos 45 municípios que compõem o semi-árido maranhense.
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