O deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) foi preso na madrugada de ontem, 22, com outras cinco pessoas após um tiroteio com a polícia em Campo Grande, zona oeste do Rio. Cerca de 40 pessoas protestam na porta da 35ª Delegacia, contra a prisão do deputado. Segundo informações da delegacia, os manifestantes cercaram a delegacia e, mais cedo, tentaram invadir o local, mas foram contidos após policiais jogarem spray de pimenta contra eles. Não há registro de feridos.
Natalino foi preso em flagrante, na própria casa, durante uma reunião com membros de uma suposta milícia, chamada pela polícia de Liga da Justiça, que age em favelas da região. Natalino e o irmão, Jerônimo Guimarães, o vereador Jerominho (PMDB), também preso, são apontados como os chefes da milícia. Eles negam.

Ao sair de casa ontem, algemado, o deputado foi aplaudido por outros moradores do bairro, segundo a Polícia Civil. Um homem identificado como Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo, foi ferido durante a ação e encaminhado para um pronto socorro. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.
Fabinho Gordo aparece em uma lista feita pela 35ª DP com 27 supostos componentes da milícia Liga da Justiça. Entre elas, está também o filho de Jerominho, Luciano Guinancio Guimarães, que está foragido. Segundo a polícia, ele estava na casa de Natalino, mas conseguiu fugir logo após a chegada dos policiais.
No último dia 11, Natalino Guimarães, que era inspetor da Polícia Civil, foi expulso da corporação por causa do suposto envolvimento com a Liga da Justiça, junto do irmão Jerônimo Guimarães, o vereador Jerominho (PMDB). Também inspetor policial, Jerônimo teve a aposentadoria cassada na mesma ocasião.
Há duas semanas, em depoimento à CPI da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) que investiga a atuação de milícias, o delegado Marcus Neves, do 35º DP (Campo Grande), apontou Natalino e Jerominho como os chefes da Liga da Justiça e disse que a milícia deles fatura cerca de R$ 2 milhões por mês.
(Folha Online)