No mesmo dia em que assumiu o novo comandante da Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que "é preciso restaurar a ordem, em nome da preservação da imagem da Polícia Federal", informou o blog do Josias.
Na segunda-feira, 21, a chefia da investigação - que prendeu o banqueiro Daniel Dantas e mais 16 pessoas - foi passada para Roberto Saadi. Ele vai ocupar o lugar de Protógenes Queiróz, afastado do caso Dantas devido a um curso da Polícia Federal em Brasília.
Segundo um assessor de Lula, o presidente vê como prioridades de Saadi a necessidade de "restaurar o respeito à hierarquia na Polícia Federal" e "sanear o inquérito, retirando dele as ilações infundadas do delegado Protógenes".
Em privado, Lula se disse inconformado com os procedimentos adotados por Protógenes na condução das investigações, dizendo que o delegado desrespeitou seus superiores na PF ao consolidar parceria com a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) à revelia da cúpula da polícia.
Segundo o blog, um dos principais problemas deixados no inquérito por Protógenes é uma suspeita colocada sobre a fusão da Brasil Telecom e da Oi. O governo disse que o delegado "exagerou" ao registrar que o ex-deputado petista Eduardo Greenhalgh valera-se de sua influência no Planalto para exercer "tráfico de influência" e "lobby" em favor da venda da BrT.
Entenda o caso - Anunciada em abril e defendida e estimulada pelo governo, a compra da BrT pela Oi ainda depende de mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas), que regulamenta o setor de telefonia. O negócio na telefonia tem um custo estimado de R$ 13 bilhões.
Pelas regras em vigor, concessionárias de telefonia fixa não podem atuar em duas das três áreas em que o país foi dividido na época da privatização do sistema Telebrás, em 1998.
A compra da BrT pela Oi envolve, diretamente, mais de uma dezena de empresas, bancos, fundos de investimento e fundos de pensão de estatais que possuem participação acionária nas duas operadoras. Alguns têm participação em ambas: é o caso do Opportunity - de Dantas -, do Citibank e dos fundos de pensão de estatais. Se a compra for fechada, a supertele terá 49,8% de seu capital controlado pelo governo - por meio do BNDES e dos fundos de pensão de empresas estatais.
Nova etapa - A análise dos documentos apreendidos nas casas e escritórios de Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito Celso Pitta e de mais 21 investigados na Operação Satiagraha deverá consumir cerca de quatro meses de trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Subdivida em quatro inquéritos, que enfocam diferentes crimes, a operação conta agora com cerca de 30 novos policiais para periciar o que estima ser uma tonelada de papéis e equipamentos apreendidos.
Deflagrada no último dia 8, a Operação Satiagraha resultou na prisão de Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e de mais 14 pessoas suspeitas de integrarem a quadrilha.
(Folha Online)