QUEBRA-POTE
Na manhã de ontem uma confusão generalizada tomou conta do assentamento Cassaco, no bairro Quebra-Pote. As 129 famílias integrantes da comunidade local entraram em confronto com o comerciante Francisco das Chagas Araújo, 51 anos, o Ceará, que se diz dono de uma área de 854 hectares, onde está localizado o assentamento. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de São Luís, Antonio de Jesus Sousa Amorim, revelou que no local havia seis seguranças armados, contratados por Ceará, que agrediram e humilharam vários trabalhadores. Policiais militares do 6º BPM em conjunto com o Grupo de Investigação e Captura da Superintendência de Polícia Civil da Capital, coordenado pelo delegado Kairo Clay Mesquita, contornaram a situação e conduziram os agressores e as vítimas para o 12° DP (Pedrinhas).
Segundo populares, a confusão começou por volta de 6h, quando Elisvaldo Oliveira da Silva e Luís Costa Ribeiro foram arar a terra e cuidar de suas roças. Eles teriam sido abordados por três seguranças armados, que trabalham em sistema de turno, cuidando da área pertencente a Ceará. “Os jagunços abordaram Elisvaldo e Luís afirmando que eles estariam cortando a cerca de arame farpado que o Ceará levantou e invadindo o terreno dele, o que é mentira. Já construímos açude, casa de farinha, casa do mel, plantamos todos os tipos de horta, implantamos sistema de irrigação... Então, seria burrice nossa entregar tudo isso para quem se diz dono da terra, sem ter como provar. É muito cômodo para ele encontrar tudo pronto e se apossar do que já está feito e construído. Vamos lutar até o fim pelos nossos direitos”, afirmou um lavrador que preferiu não ser identificado.
O presidente do STR explicou que a área reclamada por Ceará era da Alumar que, em 1996, permutou com o estado para que fossem assentadas as famílias carentes que ali residiam. No entanto, desde o ano 2000 o comerciante Antonio de Jesus tem reclamado a posse das terras. “No último dia 14 ele mandou um trator para o assentamento e queria destruir tudo, mas nós impedimos. No dia seguinte foi atrás de mim e me ameaçou, dizendo que se eu voltasse no Cossaco ele mandaria me matar. Na realidade o Ministério Público, a Procuradoria Geral do Estado, Incra, Iterma, Secretaria de Estado da Agricultura, Secretaria de Estado do Meio-Ambiente, Secretaria de Segurança Pública e Prefeitura de São Luís, já têm conhecimento do caso, mas ainda não conseguiram encontrar uma solução para o conflito”, declarou Antonio Amorim.
Francisco das Chagas disse que é o dono das terras e que tem documentos do estado e da Procuradoria Geral confirmando sua versão. Ele contou que suas terras têm 895 hectares e foi avaliada em quase um R$ 1 milhão e meio, sendo que o Cassaco compreende cerca de 190 hectares. “Eles já perderam duas ações na Justiça, mas não se convencem disso e no próximo dia 19 teremos outra audiência solicitada por eles. No dia 28 de julho de 2006, o juiz Luiz Gonzaga Almeida Filho, da 2ª vara da Fazenda Pública, proferiu que as terras eram minhas e publicou dia 7 de agosto no Diário Oficial. O que quero é que o estado tome uma providência, pois quero acabar com este conflito, estou disposto a vender minha propriedade. Os assentados me chamam de ‘grileiro’, no entanto não é com agressão que eles têm que provar isso e sim em juízo”, ressaltou Ceará.
Conforme o delegado titular do 12° DP, Cristiano César Oliveira de Farias, o caso é muito complexo e requer tempo para apuração, uma vez que já apareceram vários donos reclamando a área. Por conta disso foi aberto um inquérito policial para investigar o caso.
(Jully Camilo)