Acusações formais do delegado Protógenes Queiroz, que comandava a Operação Satiagraha, contra a cúpula da Polícia Federal, e suspeitas de perseguição a agentes da PF envolvidos na investigação divulgadas neste domingo agravam ainda mais a crise que divide a instituição. A direção do órgão promete rebater nesta semana uma denúncia feita na noite de sexta-feira pelo delegado ao Ministério Público, em que afirmou ter sido coagido a se afastar do caso. Enquanto isso, um relatório que integra o inquérito da Satiagraha conta que policiais participantes da operação foram perseguidos por colegas de corporação.
O lado mais evidente da crise – a disputa entre o delegado Protógenes e seus superiores –, promete ficar mais acirrado durante a semana. Em documento de 13 páginas enviado ao Ministério Público na sexta, ele se queixa de sua saída do caso, e acusa a direção da PF de ignorar seus pedidos de reforço de pessoal para analisar o material apreendido na operação.
A PF já tem uma resposta pronta às acusações de Protógenes. De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo, a cúpula da polícia vai dizer ao MP que o delegado se afastou voluntariamente da Operação Satiagraha e que, quando comandava as investigações, teve uma boa infra-estrutura à disposição. Segundo a PF, Protógenes recebeu o reforço de três delegados, verba extra e uma estrutura montada especialmente para a operação, e, portanto, não tem do que se queixar.
Perseguição – Outras evidências da crise na Polícia Federal surgiram neste domingo, com a divulgação da existência de um suposto relatório que narra perseguições sofridas pelos agentes envolvidos na operação cujo alvo mais vistoso era o banqueiro Daniel Dantas. A existência do relatório, de responsabilidade da Diretoria de Inteligência Policial da PF, também é noticiada pela Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, o documento integra o inquérito da Operação Satiagraha, e data de 28 de abril.
Nele, policiais contam terem sido seguidos pelo menos seis vezes pelas ruas de Brasília, entre março e abril. Num dos episódios, ocorrido em 17 de abril, um agente relata que, ao suspeitar estar sendo seguido, teria parado o carro “numa rua deserta” e esperado um tempo. Ao sair, “veio ao seu encontro um Ford EcoSport, com duas pessoas, em alta velocidade”. Diz o documento que os dois “estavam numa atitude clara de procurar alguém, e, no momento em que se depararam com o agente da equipe, ficaram desconcertados, constrangidos, disfarçaram e foram embora”. Ao checar a placa, a PF descobriu se tratar de um Ford Ranger prateado. Este é apenas um dos episódios de suposta perseguição. Há outros cinco. O jornal não cita nomes nem indica se o relatório aponta de quem teria partido a ordem para a espionagem.