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Protógenes acusa comando da PF de obstruir investigação no caso Dantas
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Protógenes acusa comando da PF de obstruir investigação no caso Dantas

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Data de Publicação: 20 de julho de 2008
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Delegado denuncia ao MP que foi afastado do inquérito e desmonta versão de que saiu porque quis

O delegado federal Protógenes Queiroz denunciou ao Ministério Público Federal que foi afastado do inquérito Satiagraha. Em documento de 16 páginas, dividido em tópicos, que protocolou na Procuradoria da República em São Paulo, o delegado queixou-se formalmente sobre “obstrução às investigações do caso”. Na representação, ele tenta desmontar a versão da cúpula da Polícia Federal que, por ordem expressa do presidente Lula, divulgou trechos gravados de reunião fechada para tentar mostrar que havia sido do próprio delegado a iniciativa de sair do caso.

A Operação Satiagraha, deflagrada dia 8, desarticulou o que a PF chama de “organização criminosa” , que teria no comando Daniel Dantas. Além do banqueiro, foram presos o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e 15 dos outros 21 investigados. Só dois continuam presos. O esquema envolveria desvio de recursos públicos, corrupção, fraude, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Na sexta-feira à noite, depois de enquadrar criminalmente Dantas, o delegado fez lacônica declaração. Anunciou o fim de sua participação no caso, com a entrega do relatório final do inquérito 120233-08. Ressalvou que sua manifestação atendia ordem do Palácio do Planalto: “Como servidor público da PF, uma das reservas morais desse País, e cumprindo determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em obediência à ordem dos meus superiores, apresento nessa data a nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha, em especial no combate à corrupção”.

Agradeceu a todos que o auxiliaram na campanha de 4 anos e citou os nomes, um a um, de juízes, procuradores, agentes, escrivães, peritos e delegados, entre eles o ex-diretor-geral da PF Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que deu apoio crucial à Satiagraha. “Como cidadão deixo à História a lição democrática do saudoso Heráclito Fontoura Sobral Pinto: todo poder emana do povo e em seu nome ele é exercido”, concluiu Protógenes.

O delegado levou sua denúncia à Procuradoria na tarde de quinta-feira, ao mesmo tempo em que a direção-geral da PF divulgava, em Brasília, diálogos selecionados do encontro que ele manteve com superiores na noite de segunda. A reunião ocorreu em São Paulo, na sede da corporação. A parte dos áudios liberada - menos de 3 minutos, de 2h30 de discussão – sugere que o delegado deixou o caso espontaneamente para fazer um curso de especialização. Mas não é o que agora ele alega.

Os procuradores Anamara Osório Silva e Rodrigo de Grandis pediram a abertura de procedimento administrativo de controle externo da atividade policial. A representação foi distribuída ao procurador da República Roberto Antonio Dassié Diana, coordenador do grupo de controle externo do MPF. Protógenes afirma ter sido afastado das investigações e queixa-se, principalmente, de falta de recursos humanos e materiais para a investigação.Segundo o MPF, o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon, já se comprometeu a repassar a íntegra da gravação.

Diana anotou que a revelação de Protógenes aponta fatos sigilosos da Satiagraha. O procurador não quis se manifestar se há crime a ser investigado. “Vou verificar desde possível falta administrativa até crime.” A direção da PF não se manifestou sobre a denúncia. Limitou-se a informar que coloca-se à disposição da Procuradoria.

(Agência Estado)

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