Da Redação
Filas e a longa espera causam irritação nas pessoas que precisam se dirigir às Cemarcs
Na semana passada o Jornal Pequeno divulgou uma matéria que tratava dos desafios do próximo prefeito no setor de saúde pública. Menos de uma semana depois, ficou evidente que o assunto deve ser tratado de forma mais apurada e que é uma tarefa não só da Prefeitura, mas de toda a sociedade, a melhoria do sistema de saúde. Exemplo de avanços como o atendimento no Socorrão I contrasta com problemas simples como a marcação de consultas e mostram que a racionalização do sistema pode ser a melhor saída para os problemas.
Filme antigo – Na sexta-feira cerca de 300 pessoas aguardam na fila de marcação de consultas do PAM da Cidade Operária (órgão vinculado ao governo do estado). Por volta das 7h30 o segurança do prédio explicou que seriam distribuídas apenas 29 fichas. A notícia pegou de surpresa Fabiana Pereira Sousa, que desde a última terça-feira, 15, tentava marcar uma consulta. “Será que vou ter que esperar mais quanto tempo para poder marcar uma consulta? Eu estava na fila desde as 6h e, depois desse tempo todo na fila, fico sabendo que não serei atendida?”, protestou.

O mesmo aconteceu com José Maria Campelo, que foi encaminhado por um médico da rede pública desde o dia 15 e também não havia conseguido marcar consulta. José mostrou o prontuário de encaminhamento e se mostrou decepcionado com o tratamento recebido no PAM. “Este documento não vale nada para eles. Fui encaminhado pelo médico para fazer um exame, não posso acordar muito cedo por causa da minha enfermidade e, mesmo assim, sou tratado como um paciente qualquer”, irritou-se.
O caso dessas pessoas apenas mostra o quanto a falta de organização no sistema de saúde estadual e o seu total isolamento dos sistemas municipais prejudica a população.
Complexo regulador – Para Marcos Antonio Barbosa Pacheco, da assessoria técnica da Secretaria Municipal de Saúde, a maioria dos problemas da rede de saúde depende da integração total do sistema. Segundo ele, a estrutura médica de São Luís já existe, mas ainda não é utilizada de forma racional para atender a grande demanda em São Luís.
“Hoje temos casos de parturientes que dão à luz dentro de ambulâncias por conta da falta de mecanismos para direcioná-la rapidamente para leitos vagos. Os leitos existem, mas o sistema ainda não consegue ser rápido na distribuição da demanda”, explicou.
Um exemplo apresentado por Marcos Pacheco foi a própria Cemarc. “As filas hoje são virtuais por conta da demanda que é superior à oferta. Contudo, o sistema ficou mais humanizado. Antigamente a pessoa se deslocava para uma fila enorme nem sabia se seria atendida, hoje ela enfrenta uma grande fila em um curto espaço de tempo, e depois vai esperar em casa”, disse.
Outro déficit da marcação de consultas apontado pelo médico, diz respeito ao número de equipes do Programa Saúde da Família em São Luís, atualmente a cidade conta apenas com 80. “As equipes atuais cobrem apenas 30% da cidade, precisamos de 200 para uma cobertura efetiva. Agentes das equipes do PSF têm autonomia para marcar consultas, o que resultaria em mais alcance caso o número de agentes fosse maior”, explicou.
De acordo com Marcos Pacheco, a região metropolitana de São Luís recebe R$ 278 milhões por ano para tratar de quase um milhão de habitantes. “Isso resulta em menos de R$ 25 por mês para cada cidadão. Dá como prestar um serviço de qualidade assim?”
Apesar das dificuldades, o médico tem esperanças em avanços no setor de saúde no futuro. “A Central de Marcação está evoluindo, assim como a marcação de exames. Outra prova disso é a eficiência do Samu. No próximo ano com certeza o Complexo Regulador que integrará todo o sistema estará pronto e mudará a fisionomia do nosso sistema. Temos poucos recursos, e isso acontece em todo o Brasil, mas se os custos forem racionalizados e os desperdícios evitados, as barreiras serão vencidas”, concluiu.