O Plano Real completou 14 anos ontem. A moeda acabou com a hiperinflação que atormentou os brasileiros, principalmente nos anos 80. Mas os preços não ficaram parados no tempo: é o que mostra um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As maiores altas no plano real o brasileiro sentiu no orçamento de casa. Nos últimos 14 anos, as contas que mais aumentaram foram do telefone fixo e do gás de cozinha. O preço do botijão de gás subiu 672%, o mesmo reajuste do telefone.
Para a dona de casa Magali das Dores, o que mais assustou foi o preço do aluguel, que subiu 450%. Para economizar, uma das saídas da dona de casa é cozinhar no fogão a lenha. “Eu comprava um botijão por mês. Agora eu compro um botijão a cada três meses”, diz ela. O aumento de 227% da inflação nos últimos 14 anos, segundo o IBGE, é pequeno comparado com os índices registrados antes do Plano Real, quando esse percentual era atingido em apenas quatro meses. “Tivemos confisco de dinheiro, tivemos congelamento, tivemos mudança de moeda, tivemos cortes de zero. E nenhum deles foi eficaz no combate à inflação. Eu entendo que depois de 14 anos o saldo é muito mais positivo do que negativo”, diz o economista Frederico Penido de Alvarenga.