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William Moreira Lima

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Data de Publicação: 2 de julho de 2008
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Flávio Dino

Em 2006, durante minha primeira campanha eleitoral, período naturalmente difícil em que havia acabado de renunciar a uma carreira de 12 anos como juiz, uma mão se estendeu espontânea e generosa para mim, trazendo com ela uma lição inesquecível de solidariedade. Era o doutor William Moreira Lima, médico devotadíssimo de nossa cidade e militante comunista histórico, respeitado por seis décadas de dedicação intensa e ininterrupta à luta política e aos movimentos populares. Foi ele que naquele momento crucial declarou seu voto em minha pessoa para representar nosso estado na Câmara dos Deputados, e não apenas isso, assinou o manifesto em favor de minha candidatura por um Maranhão justo e um Brasil livre.

Integrante da tradicionalíssima família maranhense Moreira Lima, dr. William pautou toda sua trajetória de vida – política, profissional e pessoal – pela dedicação aos menos favorecidos, honrando com sua prática diária o juramento que os médicos prestam ao se formar, há quase 2 mil anos, inspirados por Hipócrates: o de, ao exercer a arte de curar, se mostrar sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. William era dono de um senso humanitário que certamente fez toda a diferença para os que, em tantas décadas, estiveram sobre seus cuidados, além de senhor de uma coerência e entusiasmo sem os quais a história da esquerda maranhense não teria sido a mesma.

Nessa segunda-feira, São Luís amanheceu triste porque sem o dr. William, que nos deixou aos 91 anos. Foi-se ainda combatendo e reafirmando que acreditava na derrota do capitalismo, já que ele “não conseguiu resolver sequer o problema da fome aguda ou crônica de mais da metade da população do mundo”.

Formado em 1943 pela Universidade Federal da Bahia, William Moreira Lima especializou-se em oftalmologia e otorrinolaringologia, mas o que realmente marcou sua carreira foi a humanização que desde cedo emprestou à medicina. Deixa-nos, além de uma bela lição de vida, um imenso legado para as novas gerações, que começou a ser construído muito antes de sua filiação ao antigo “partidão”, o Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1948. Foi o dr. William que, ao lado da também médica Maria Aragão – revolucionária tão incansável e apaixonada pelas causas libertárias quanto ele – ajudou a construir o Partido Comunista no Maranhão e participou das mais importantes lutas democráticas e populares do estado e do país. Sempre com a marca registrada da defesa dos direitos humanos e do socialismo. A opção teve o seu preço: ele foi perseguido mesmo antes do golpe militar de 1964 e preso por diversas vezes.

No final do ano passado, o PCdoB maranhense o homenageou com o Troféu José Augusto Mochel, dedicado aos que se destacaram na luta popular pela democracia e pela justiça social no Maranhão. Sentimo-nos honrados naquele momento e mais ainda agora, por ter proporcionado esse reconhecimento a um quadro político tão especial em nossa história, ainda em vida. Isso fizemos não apenas como um sinal de respeito merecido a sua trajetória, mas também como uma proclamação às novas gerações de que vale a pena lutar e de que as causas pelas quais combatemos, sejam aquelas mais imediatas, sejam aquelas de alcance histórico de longo prazo, continuam atuais, requerendo nossa participação de forma ativa, consciente e apaixonada.

E é justamente mantendo vivo esse ensinamento, esse compromisso de uma vida toda do dr. William que melhor poderemos reafirmar essa homenagem agora, na hora de sua partida. Que ele, que sempre destacou o quanto é importante para a sociedade viver num estado democrático de direito e o quão necessários sempre serão os movimentos estudantis e sociais para a consolidação dessa democracia, siga nos inspirando a sonhar e a lutar por esse ideal.

Nossa solidariedade também se estende a toda sua família e aos militantes do Partido Popular Socialista (PPS). Acima de tudo, renovamos a nossa homenagem a toda uma geração que, antes da minha, sustentou em solo maranhense a defesa dos direitos dos trabalhadores, da liberdade, da justiça social e se insurgiu contra a submissão do mundo ao poder exclusivo dos que têm mais dinheiro. Foi em razão de tudo isso que no seu velório comparecemos, para em nome do PCdoB homenagearmos um grande companheiro, um grande camarada.

O deputado federal Flávio Dino escreve para o Jornal Pequeno às quartas-feiras.

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