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O desemprego e a migração de trabalhadores dos cocais

O desemprego e a migração de trabalhadores dos cocais

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Data de Publicação: 18 de julho de 2008
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Marcelo Carneiro

Durante o ano de 2006 realizamos pesquisa no município de Codó para tenta compreender o motivo desse município ter se destacado, junto com o de Timbiras, no ranking dos principais fornecedores de migrantes para o trabalho no complexo sucroalcooleiro paulista.

A partir de levantamento de campo identificamos para ¾ das pessoas entrevistadas a falta de ocupação ou emprego como um fator determinante para a decisão do deslocamento. Essa indicação nos levou ao estudo das características da economia regional para verificar quais as possibilidades de ocupação e emprego para os trabalhadores daquele município.

Segundo os dados oriundos do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano de 2006 os empregos formais no município equivaliam a 5.499 postos de trabalho distribuídos como mostra o Quadro 1. Portanto, as oportunidades de empregos formais no município concentram-se em três setores: administração pública, comércio e indústria de transformação.

Ora, quando comparamos esses empregos formais o tamanho da população economicamente ativa (PEA) verificamos que esse número de empregos formais é absolutamente insuficiente para a garantia de reprodução econômica das famílias do município. Tomando como referência os dados do Censo Demográfico de 2000 temos uma PEA-Urbana para o município de Codó de 27.840 pessoas, ou seja, cinco vezes mais do que o emprego formal gerado em 2006.

Outra possibilidade de absorção dessa força de trabalho seria a sua alocação nas ocupações geradas pelas atividades da agropecuária municipal, entretanto, como pode ser visto no quadro 2 as oportunidades de trabalho geradas pela pecuária e pela produção de carvão vegetal são pequenas, restando a lavoura temporária e a silvicultura/exploração florestal como principais atividades geradoras de ocupação no campo.

Esse quadro limitado de oportunidades de trabalho foi identificado em nossa pesquisa quantitativa, pois, mesmo residindo na sede do município a maior parte dos entrevistados informou que a ocupação principal do chefe de família estava relacionada com o desempenho de atividades agrícolas

Quadro 1: Distribuição dos empregos formais no município de Codó segundo o setor de atividade – em 31.12.2006.

FONTE: RAIS/MTE.

Quadro 2: Pessoal ocupado por grupo atividade econômica no município de Codó – 1996

FONTE: CENSO AGROPECUÁRIO (IBGE).

Quadro 3– Ocupação principal do chefe da família

FONTE: PESQUISA DE CAMPO.

Essa limitação da inserção em empregos/ocupações urbanas faz como que a maior parte das pessoas que residem nos bairros populares de Codó mantenha uma relação importante com a terra, tendo na agricultura uma importante fonte de renda. De um total de 256 entrevistados, 144 responderam que mantêm atividade agrícola.

O problema é que para realizar essa atividade agrícola (lavouras temporárias associadas com o extrativismo vegetal) essas pessoas geralmente alugam um pedaço de terra, pagando o "fôro", como é localmente denominado pagamento pelo arrendamento de um pedaço de terra. De acordo com as informações recolhidas a maioria dos entrevistados (62,40%) paga uma renda para poder realizar a atividade agrícola.

Portanto, com base nos dados coletados podemos afirmar que a decisão do deslocamento dos migrantes está intimamente relacionada com o limitado mercado de trabalho urbano e a situação calamitosa da estrutura fundiária regional.

Como sair dessa situação? Como inverter essa sangria de trabalhadores para situações de superexploração do trabalho nos canaviais do sudeste brasileiro?

Para debater e tentar responder essa e outras perguntas, trabalhadores rurais e representantes de movimentos sociais da região dos cocais estiveram reunidos nos dias 11 e 12 de junho em Codó. Nessa oportunidade lançamos o vídeo e o livro "Migrantes" e a publicação "Migrações no Maranhão Contemporâneo", produtos que tentam ajudar movimentos sociais e trabalhadores na compreensão dos fundamentos sociais do processo migratório e na construção de alternativas para o seu enfrentamento.

Marcelo Carneiro, professor da UFMA, escreve para o Jornal Pequeno às sextas-feiras, revezando com a professora Arlete Santos Borges

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