A eclosão do processo eleitoral costuma fazer vítimas e algozes. Estamos em meio ao turbilhão de vozes e programas políticos, de indecisões que se misturam, de dúvidas e escolhas que precisam ser feitas a qualquer custo.
O eleitor, neste momento, é a autoridade maior. A ele cabe dirimir as dúvidas e fazer a escolha acertada, tomar a decisão sobre aqueles que vão administrar os recursos auferidos com a pesada carga tributária que paga todos os dias.
Como órgão de imprensa não podemos sequer sugerir que votem neste ou naquele. Mas podemos dizer que o comando de uma cidade, um estado ou um país não pode ser entregue nas mãos não confiáveis dos que já provaram sua inapetência administrativa.
A lisura do processo eleitoral não depende apenas da inexistência de fraudes. Depende muito da certeza de que votos não foram vendidos nem comprados; depende de que os compromissos assumidos não sejam apenas a voz das ruas, de que pessoas não tenham sido enganadas por discursos vazios e subtraídas em sua boa fé.
De nada valeria a democracia que a tanto custo conquistamos se não pudéssemos vislumbrar no horizonte esta certeza de que estamos indo no rumo certo. Juntos, eleitores e candidatos podem aperfeiçoar essa liberdade de pensamento e escolha. Uma eleição em que não haja vencidos nem vencedores, em que a vitória pertença ao eleitor, que, sendo também o contribuinte que com suor e lágrimas sustenta esta Nação, possa ter a certeza de que não errou.
Se alguém ainda se lembra da expressão “governo do povo, pelo povo e para o povo” entenderá o que representa o processo eleitoral. Não se trata apenas de uma disputa programática entre convicções. Mais que isso, significa entregar os recursos públicos nas mãos de líderes que precisam ser respeitados; amados, não endeusados; preteridos, não odiados.
O atraso, a tirania, a oligarquia não podem mais vicejar neste país e muito menos neste Estado. Pagamos muito caro por dar ouvidos às mentiras que se repetem sempre. Não podemos mais continuar debruçados sobre o “muro das lamentações”.
Um velho poeta dizia que “nunca se sabe o que vai acontecer na próxima curva”. Mas podemos nos precaver para que não haja desastres nem incidentes que já eram esperados. Afinal de contas, não estaremos elegendo a bela da tarde que nos cativa apenas por sua beleza plástica. Estaremos elegendo os responsáveis pelo futuro de nossos filhos, da saúde deles, da educação, da segurança. Votar, portanto, deve ser um ato de amor. Precisa ser uma decisão que priorize a liberdade.