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Política
Presidente do PDT esclarece dúvidas sobre impugnação de candidatura
Sarney apoiou negócios escusos de megamilionário no Amapá

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Data de Publicação: 13 de julho de 2008
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POR OSWALDO VIVIANI

'TOQUE DE MIDAS'

O senador foi ao lançamento da pedra fundamental de projeto com suspeita de licitação fraudulenta

Mais uma vez uma operação da Polícia Federal (PF) – dessa vez apelidada Toque de Midas – chega a um figurão envolvido em negócios escusos com histórico de promíscua proximidade com o senador José Sarney (PMDB-Amapá). Depois de Zuleido Veras, da Construtora Gautama, flagrado em traficâncias de variada procedência pela Operação Navalha, agora foi a vez de Eike Fuhrken Batista, o megamilionário mineiro que muitos garantem ser o homem mais rico do Brasil.

Foto:ARQUIVO DO GOVERNO DO AMAPÁ (28/09/06)
Sarney (de jaqueta) e Eike Batista (de boné) em evento da MMX no Amapá. Eike é ladeado por Silas Rondeau e Waldez Góes

Na sexta-feira, a PF vasculhou a casa de Eike no Rio de Janeiro e instalações de sua empresa, a MMX, no Rio e em Macapá (Amapá). Contra Eike pesam acusações de ter fraudado a licitação para realizar a obra da estrada de ferro do Amapá, que liga os municípios de Serra do Navio e Santana e é responsável pelo transporte de minério do interior do estado para o porto de Santana, às margens do rio Amazonas. A empresa de Eike também teria desviado ouro lavrado nas minas do interior do estado, com a finalidade de escapar à cobrança de tributos por parte da Receita Federal.

José Sarney e Eike Batista: proximidade promíscua

A exemplo do caso de Zuleido – que nas anotações de sua agenda e em outros documentos não deixou dúvidas de que distribuía generosas contribuições a pelo menos cinco membros do clã Sarney (o patriarca, José; sua filha, Roseana; o irmão de José, Ernane; a mulher de Ernane, Shirley; e o sobrinho de José, Ricardo) –, a Polícia Federal não incluiu imóveis de José Sarney (que tem domicílio eleitoral no Amapá) em suas buscas e apreensões. Mas chegou perto: deu “varreduras” na casa de Ruben Bemerguy (ex-procurador geral do Estado), de Guaracy Campos Farias (membro da comissão especial de licitação da estrada de ferro) e na Secretaria de Planejamento e Orçamento do Estado do Amapá. Bemerguy e Campos são ligados ao governador do Amapá, Waldez Góes (PMDB) – unha-e-carne com José Sarney.

Apesar de José Sarney ter se mantido, aparentemente, mais uma vez intocado por uma investigação sobre falcatruas de grande monta, os indícios são mais do que robustos de que o senador amapaense apoiou os negócios escusos do megamilionário Eike Batista no Amapá. Uma demonstração da ligação – quase amizade – dos dois foi dada três dias antes das eleições de 2006. José Sarney fez questão de se deixar fotografar ao lado de Eike, no evento de lançamento da pedra fundamental do Sistema Integrado MMX Amapá, um projeto para explorar uma mina de ferro, uma estrada de ferro (cuja licitação agora é objeto de suspeitas) e um terminal portuário no município de Santana, a 20 quilômetros de Macapá. O empreendimento teve investimentos de US$ 900 milhões. O empresário Eike Batista doou R$ 200 mil para a campanha do governador Waldez Góes, que em 2006 foi “casadinha” com a de Sarney.

Góes também aparece na foto, assim como Silas Rondeau, então ministro de Minas e Energia, apadrinhado de Sarney. Rondeau – que seria defenestrado do Ministério, em conseqüência das investigações da Operação Navalha – estava no Amapá às vésperas das eleições para lançar, por mais absurdo que pareça, pela segunda vez, o programa de eletrificação rural no estado. O vínculo eleitoral entre a visita do ministro e a candidatura de Sarney foi visível, mas a Justiça Eleitoral “engoliu” a seco o crime. No evento da MMX, Eike Batista elogiou o senador Sarney. “Não posso deixar de agradecer a ajuda muito especial do senador Sarney que olha para o futuro”, disse.

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