Arleth Borges
Foi dada a largada: 11 candidatos estão na disputa para a prefeitura de São Luís. O número é alto, mas não é novidade. Na eleição de 1992, a primeira após a instituição do segundo turno para os grandes colégios eleitorais em que nenhum candidato obtivesse maioria absoluta, a disputa em São Luís contou com exatos 11 candidatos. Mas, realmente, esse número é alto e não só por ter correspondentes em grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas em relação à própria história eleitoral de São Luís. Para relembrar, vejamos os números e nomes das últimas eleições:
2008: 1. Cleber Verde (PRB); 2. Clodomir Paz (PDT); 3. Flávio Dino (PCdoB); 4. Gastão Vieira (PMDB); 5. João Castelo (PSDB); 6. Paulo Rios (PSOL); 7. Pedro Fernandes (PTB); 8. Raimundo Cutrim (DEM); 9. Waldir Maranhão (PP); 10. Welbson Madeira (PSTU) e 11. Ribamar Pedrosa (PCO).
2004: 1. João Tadeu Palácio (PDT); 2. João Castelo Ribeiro Gonçalves (PSDB); 3. Ricardo Jorge Murad (PSB); 4. Hele-na Barros Heluy (PT); 5. Edivaldo Holanda (PTC) e 6. Luís Carlos Noleto Chaves (PSTU).
2000: 1. Jackson Kepler Lago (PDT); 2. João Castelo Ribeiro Gonçalves (PSDB); 3. José Raimundo Rodrigues (PTB); 4. Helena Barros Heluy (PT); 5. José Antonio Figueiredo de Almeida Silva (PSB); 6. Marcos Antonio Silva do Nascimento (PSTU) e 7. Clóvis de Jesus Savalla Corrêa Carvalho (PRTB).
1996: 1. Jackson Kepler Lago (PDT); 2. João Castelo Ribeiro Gonçalves (PPB); 3. Pedro Fernandes Ribeiro (PSD); 4. Afonso Manoel Borges Ferreira (PSDB); 5. Antônia Sinhorinha Silva (PRTB); 6. Antonio Worlon Fontinele (PV); 7. Marcos Antonio Silva do Nascimento (PSTU) e 8. Eurico Fernandes da Silva (PCdoB).
1992: 1. Conceição Andrade (PSB); 2. João Alberto de Sousa (PFL); 3. Carlos Guterres (PMDB); 4. Jaime Santana (PSDB); 5. Rubens Soares (PRB); 6. Haroldo Sabóia (PT); 7. Nan Sousa (PST); 8. Mauro Fecury (PTB); 9. Costa Ferreira (PTR); 10. Evandro Bessa (PDC) e 11. Betto Douglas (PMN).
1988: 1. Jackson Kepler Lago (PDT); 2. Carlos Guterres (PMDB); 3. José Ribamar Heluy; 4. Edvaldo Holanda; 5. Jairzinho da Silva; e 6. Sebastiaozinho.
1985: 1. Gardênia Ribeiro Gonçalves (PDS); 2. Jaime Santana (PDS); 3. Luís Soares Vila Nova (PT); 4. Jackson Lago; 5. Haroldo Sabóia; 6. e 7. Emanoel Vianna (PMB).
Os dados indicam, de antemão, que em 2008 há uma predominância de nomes novos, não na política, mas nas disputas para prefeito. Apenas dois candidatos já participaram de pleitos anteriores: o ex-governador João Castelo, que disputou a prefeitura três vezes, está agora na quarta tentativa (e já teve sua esposa à frente da prefeitura de São Luís em 1985-88) e o deputado federal Pedro Fernandes, que concorre ao cargo pela segunda vez. Os demais candidatos são estreantes na disputa pelo Palácio La Ravardière; destes, 4 são deputados federais (Cleber Verde, Flávio Dino, Gastão Vieira, e Waldir Maranhão), 1 é deputado estadual (Raimundo Cutrim), 02 são professores universitários (Paulo Rios e Welbson Madeira) e 1 é professor no ensino médio (Ribamar Pedrosa). Dos onze, apenas os três últimos ainda não exerceram cargos eletivos e têm sua formação e engajamento político mais atrelados aos movimentos sociais, notadamente o sindical.
Feito esse breve resgate histórico (importante para discussões posteriores que pretendo levar a cabo neste espaço), é importante ressaltar que a grande safra de candidatos para a próxima eleição não representa, necessariamente, um problema ou abuso, pelo contrário, permite ao eleitor mais oportunidades para escolher o melhor. Para tanto, porém, as percepções têm que ir muito além da experiência eleitoral: é fundamental considerar o conteúdo dessas experiências e em que direção ético-política tais candidatos têm conduzido sua ação como homens públicos. Dependendo da experiência, quanto maior, pior.
Outra indicação clara é que esta não será uma eleição fácil, um jogo de cartas marcadas ou de resultados já anunciados. Cada candidato disputa com trunfos diferentes que não permitem projeções seguras sobre quem ou o quê será melhor recebido pelo eleitor. A disputa será difícil, para todos!
Arleth Santos Borges é Doutora em Ciência Política, professora de Sociologia e Antropologia da Ufma e escreve para o Jornal Pequeno quinzenalmente (sextas-feiras).