Chega ao fim a greve dos servidores públicos ligados à Polícia Civil no Maranhão. Chega ao fim depois de 40 dias, quando a população já se sentia desprotegida e era imprescindível que as partes chegassem a um acordo.
A novidade positiva é que, desta vez, um mediador – figura que afinal deveria ser presente em todas as greves que atingem serviços públicos essenciais – o juiz Itaércio Paulino da Silva estipula a previsão de uma multa diária de R$ 5 mil para qualquer das partes que descumprirem o acordo.
É bom que ninguém se sinta vencido nem vencedor mediante impasses dessa natureza que só complicam a vida do cidadão comum, do contribuinte que saca do bolso quantias cada vez mais escorchantes, num esforço pela manutenção da segurança, da saúde, da educação e de todas as tarefas que compõem o múnus público. Afinal de contas, é neste país que sobrevive, inexplicavelmente, uma das maiores cargas de tributos do mundo.
Compreendemos, afinal, que os trabalhadores busquem melhorias salariais e melhores condições de trabalho. Assim como entendemos que o direito de greve é inerente às classes trabalhadoras. Infelizmente, é preciso refletir que greves em setores como segurança e saúde pública implicam em riscos muito graves para a população. O governo e os sindicatos representantes dessas categorias devem saber disso.
Só lamentamos o aproveitamento político de todos os movimentos paredistas que ocorrem no Maranhão desde a posse do governador Jackson Lago. Uma oposição sem respaldo popular aproveita-se desses momentos para faturar eleitoralmente e, assim, intimida e coloca em pânico uma população que não tem culpa de suas desventuras eleitorais.
O fim da greve significa o bem estar coletivo, mas significa também que governo e sindicato acordaram a tempo para a gravidade de uma situação que não tinha por que perdurar.
Por outro lado, é incompreensível que nesse país ainda subsistam categorias de funcionários públicos sem um Plano de Cargos, Carreira e Salários. Para além de todo o seu significado, o PCCS elabora gestões administrativas mais justas e participativas, institui a valorização profissional e possibilita a correção de distorções acumuladas ao longo do tempo.
Pelo menos por enquanto, o Plano de Cargos, Carreira e Salários é o mais moderno e eficaz instrumento de gerenciamento de qualquer política de recursos humanos. Não se trata apenas de contemplar uma remuneração justa e compatível com a função exercida. Trata-se de garantir o desenvolvimento profissional e criar novos benefícios além dos já existentes para cada carreira, cargo ou função. A gratificação de risco de vida, em determinadas situações funcionais, é um exemplo irrefutável da necessidade de políticas de recursos humanos cada vez mais condizentes com as atividades de cada categoria.
A greve chegou ao fim com um suspiro de alívio da população maranhense. E seus resultados mais práticos são um Plano de Cargos, Carreira e Salários e a extensão da gratificação relativa a locais de difícil provimento, que só era recebida pelos delegados, a todas as funções da Polícia Civil.
A greve chegou ao fim. Vamos esperar que governo e sindicatos tão cedo não arranquem suspiros de alívio ou temor do povo de São Luís, em particular, e de todo o Maranhão.