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Editorial
Verdade incontrolável

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Data de Publicação: 10 de julho de 2008
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Quanto é o dinheiro da corrupção no Brasil?

Eis aí uma pergunta irrespondível. Uma propina de 1 milhão de dólares é oferecida a um delegado da Polícia Federal para que os nomes do banqueiro Daniel Dantas, sua irmã Verônica Dantas e um filho sejam retirados da “Operação Satiagraha”. Difícil precisar o que significa 1 milhão de dólares nesse mega-universo de roubos astronômicos e incalculáveis. Mas é muito mais do que a maioria dos brasileiros ganha trabalhando durante toda a vida.

Gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas. Crimes desconhecidos para a maioria dos mortais nessa terra de descendentes de escravos e gentios. Somente um dos fundos de investimento de Dantas que teria abrigado recursos irregulares, recebeu US$ 2 bilhões (dois bilhões de dólares) entre 1992 e 2004. A maioria de nós sequer sabe que dinheiro é esse ou o que com ele seria possível fazer para aplacar a fome brasileira. Todas as fomes. De alimentos, educação, saúde etc. Este, entretanto, é apenas um caso isolado, uma sobra do espetaculoso Mensalão.

Pensem só no que é roubado em cada esquina administrativa desse país diariamente, em cada gueto financeiro e caverna empresarial. Pensem em quantos delegados ou autoridades são capazes de resistir a 1 milhão de dólares. A corrupção parece como um cravo ilegítimo entranhado na pele brasileira.

É esse dinheiro que mata gente de fome neste país; é este dinheiro o responsável pelo desemprego, pela violência incontrolável, pelo sucesso do estado paralelo comandado pelo narcotráfico. E há, na própria Justiça, quem defenda que essa gente não deve ser algemada. E outros que não deve sequer ser noticiada.

Talvez nem seja possível contar o dinheiro repatriado do Brasil todos os meses. As críticas a essa fulminante engenharia financeira que permite assaltar o país sem um único grito, são palatáveis apenas aos economistas e investidores.

A maior parte da população que está na cadeia não sabe o que são fundos de pensão e menos ainda o que significa evasão de divisas. A população que está fora sabe apenas que o estômago dói, que lhe faltam roupas, calçados, segurança alimentar e futuro.

Ipojuca Pontes vê a corrupção nos mais distintos espaços e esconderijos: nas esquinas, nos bares e confessionários, barracos, colégios e hospitais, por artes e ofícios, nos ministérios, escritórios, quartéis e lares impolutos, no Congresso, no Judiciário e muito especialmente no Executivo. Não há exageros no que ele diz. O poder da corrupção parece uma verdade incontrolável.

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