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TEMPO DA POLÍTICA: CANDIDATOS

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Data de Publicação: 27 de junho de 2008
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Arleth Borges

Sem uma reputação das melhores, a carreira política quase nunca é apresentada como vontade ou opção pessoal, mas como missão, vocação ou mesmo sacrifício em nome dos necessitados. Discursos à parte, o que se vê, entretanto, é que é grande e cada vez maior o número de candidatos a cargos eletivos. O Almanaque de Dados Eleitorais, organizado por Wanderley Guilherme dos Santos, e o TSE trazem informações de que no Maranhão, por exemplo, entre 1945 e 2006, o número de candidatos a deputado federal passou de 41 (4,5 por vaga) para 1.431 (79,5 por vaga); o de deputados estaduais passou de 61 (1,6 por vaga) para 3.626 (86,3 por vaga), e o de vereadores da capital, na última eleição (2004), saltou para 398 candidatos, ou seja: 18,9 por vaga. Nas disputas majoritárias (presidente, governador e prefeito), o número é menor, pois trata-se de eleições para uma única vaga, mas este também cresceu após a introdução do segundo turno nas eleições dos maiores colégios eleitorais.

O acesso à candidatura envolve pelo menos quatro etapas. A primeira refere-se ao atendimento das exigências legais, que são mínimas (idade compatível com o cargo, filiação partidária, domicílio eleitoral – residência ou lugar onde o candidato tem vínculos – de pelo menos um ano; certidões criminais negativas; comprovante de escolaridade e de quitação eleitoral.

A segunda etapa refere-se à aprovação na convenção partidária – que também é uma exigência legal. Nessa fase têm maiores chances de vitória aqueles que: possuem força eleitoral (presumida com base no desempenho em eleições anteriores), os famosos “puxadores de voto”; os que têm maior poder econômico; que possuem apoios ou aliados estratégicos nos municípios ou segmentos sociais; os que têm carreira política antiga e/ou de prestígio; que têm influência direta ou indireta sobre redutos fiéis de eleitores, como é o caso das lideranças religiosas; os que têm acesso a meios de comunicação de massas (como proprietários ou apresentadores) e os que são próximos, dirigentes ou protegidos de direções partidárias. Assim, o recrutamento de candidatos com base em critérios ideológicos e militância política tem peso cada vez menor, enquanto o dinheiro, a máquina partidária e a influência são mais decisivos.

A terceira etapa refere-se à campanha, que tem a ver com a capacidade de o candidato mobilizar os trunfos de que dispõe na tarefa de destacar suas qualidades como candidato e minimizar os aspectos problemáticos de sua imagem ou trajetória, com vistas a persuadir o eleitor e conseguir seu voto de confiança ou pelo menos de troca. Nessa fase, procura viabilizar-se, primeiro em relação aos candidatos dos partidos ou coligações adversários, e depois diante dos concorrentes do seu próprio partido ou coligação.

A última etapa é a da seleção pelos eleitores. Avaliando-a a partir dos resultados, ou seja, de candidaturas vitoriosas e em escala de tempo mais longa, é possível delinear um perfil dos eleitos, tomando como referência pesquisa do professor da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Igor Grill, referente aos 100 deputados federais eleitos pelo Maranhão entre 1945 e 2006. Estes vitoriosos apresentam as seguintes características:

Quanto à atividade exercida antes do primeiro cargo eletivo: 50 são grandes ou médios empresários; 34 são advogados; 30 são grandes ou médios proprietários rurais; 30 são médios funcionários públicos; 15 médicos; 11 professores universitários; 7 jornalistas; 7 professores; 5 baixos funcionários públicos; 3 estudantes; 1 dentista e 1 metalúrgico.

Quanto à escolaridade: 85% possuem diploma de nível superior (a maioria de advogados, seguida de médicos e engenheiros) e só 3 deputados foram eleitos tendo apenas o segundo grau incompleto.

Quanto ao tempo de ingresso na política: 28% ingressaram com menos de 30 anos, mesma idade com que 60% obtiveram o primeiro cargo público.

Destes 100 deputados federais, apenas 13% ingressaram na carreira política por meio de cargos eletivos locais (9 foram vereadores e 4 foram prefeitos ou vice); 37% foram deputados (16 federais e 21 estaduais), enquanto 50% iniciam a carreira por cargos políticos administrativos (não-eletivos).

O pesquisador acrescenta ainda que 70% dos deputados federais do Maranhão possuem parentes que ocuparam ou ocupam cargos eletivos, a grande maioria destes com “famílias de políticos” de 2, 3, ou 4 gerações de ocupantes desses cargos.

É certo que a disputa para deputado federal não é parâmetro para avaliarmos as chances de candidatos em outras eleições, especialmente nesta que se avizinha, mas os números mostram que não é fácil, rápido nem barato tornar vitoriosa uma candidatura, pois os investimentos demandados extrapolam aqueles realizados no “tempo da política” e envolvem longo processo de formação pessoal e inserção política que em muitos casos mobiliza várias gerações da família, o que contribui para uma tendência ao monopólio dos cargos eletivos pelas mesmas pessoas ou grupos (não raramente familiares).

Mas esse “muro” não é intransponível e há registro de candidatos que se elegem na contramão dessas tendências: não é comum, mas é possível, e desejável, eleger-se com propostas assentadas no conhecimento da realidade e apresentando-se não como o falso messias disposto a sacrificar-se pelos desvalidos, mas assumindo responsabilidades e compromissos com a efetivação dos direitos fundamentais de todo cidadão.

Arleth Santos Borges é Doutora em Ciência Política, professora de Sociologia e Antropologia da Ufma e escreve para o Jornal Pequeno quinzenalmente (sextas-feiras).

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