DAS DECEPÇÕES INFINITAS
JM Cunha Santos (interino)
Guerra e Paz
Tolstoi falava de certos tipos de homens que só serviam para a guerra e entre elas deveriam permanecer enjaulados. Mas não sei se podemos de falar de paz nesse país de balas perdidas, onde o próprio exército entrega desafetos para o crime organizado, onde existe a tortura e o crime de encomenda. Mas sei que existem pessoas que, infelizmente, deveriam permanecer enjauladas em tempos de Guerra e Paz.
Inverdades necessárias
Descobrir, de repente, depois de tanta juventude, que Che Guevara não foi um herói, que o mercúrio cromo era falso e jamais curou as feridas de nossa infância ou, como Bertolt Bretche, tantos catecismos e cultos depois, que a Bíblia é um livro incomparavelmente belo, forte, mas inútil, dá uma terrível sensação de pavor. Mas vivemos e vamos continuar vivendo entre estas e outras decepções infinitas.
Encrenca suspeita
É complicado o que acontece com o Poder Judiciário brasileiro que já se viu vítima de corrupção, venda de liminares e até superfaturamento de obras.
O evidente envolvimento de membros da família Sarney com o esquema de propinas da Guatama, sem indiciamento pela Polícia Federal, nem denúncia da Procuradoria também coloca em xeque, sob suspeição, a Justiça e o poder de polícia do país.
O Ministério Público não pode se deteriorar a esse ponto depois de fazer crer a gerações inteiras que é, de fato, o fiscal das leis. Escolher a dedo quem deve e quem não deve ser denunciado entre os acusados de um inquérito policial é mais criminoso que a omissão total.
Nesse ritmo, a “Operação Navalha” pode deixar de ser uma encrenca para os investigados e se transformar em encrenca para os investigadores da PF e denunciantes do Ministério Público.
Rachados políticos
Uma parte do PT vai apoiar Flávio Dino, uma parte do PSB vai apoiar João Castelo, uma parte do PDT vai apoiar Clodomir Paz, uma parte do PMDB vai apoiar Raimundo Cutrim, uma parte do DEM vai apoiar Gastão Vieira.
Mais que isso: uma parte da Prefeitura vai apoiar Clodomir Paz, uma parte do Governo vai apoiar Flávio Dino, outra parte vai apoiar Clodomir e uma terceira vai apoiar João Castelo. O líder do Governo vai apoiar João Castelo, o líder da maioria vai apoiar Flávio Dino.
Podemos dizer, sem sombras de dúvidas, que estas eleições vão ser conduzidas por “partidos” políticos. Ou rachados políticos, como queiram.
Criminalização da notícia
Em editorial intitulado “A criminalização da notícia”, o Jornal Pequeno comentou um processo movido pelo senador José Sarney contra este órgão de imprensa. Na oportunidade, denunciamos as diversas tentativas do Estado, inclusive através do Poder Judiciário, de repor a censura à imprensa no país. Em boa hora veio o entendimento dos promotores eleitorais que moveram ação contra o jornal Folha de São Paulo e a ministra Marta Suplicy, condenados em primeira instância a pagar multas à Justiça Eleitoral.
Em boa hora apenas porque deu espaço para que o Procurador Geral da Justiça de São Paulo, Fernando Grella Vieira dissesse: “sou favorável à inexistência de qualquer restrição à liberdade de imprensa. Não vejo muita utilidade nesse tipo de controle que o Estado quer se propor a fazer”.
E, melhor ainda, o próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Brito, está propondo mudar o texto da resolução eleitoral com objetivo de impedir que a imprensa escrita seja punida pela Justiça Eleitoral ao publicar entrevistas com pré-candidatos.
Sob que argumentos se constroem situações como estas, é difícil dizer. Mas é bom que membros da Justiça estejam começando a perceber o cerco de políticos e reacionários contra a imprensa. No intuito lógico de restabelecer a censura no país.
É outra das decepções infinitas.
Força de Castelo
Disparado nas pesquisas eleitorais na frente de seus concorrentes, o ex-governador João Castelo marcou mais um tento depois da coligação com o PSB e com o PTC.
O PSB, que em princípio quis lançar a candidatura do ex-governador José Reinaldo Tavares, tinha duas opções de coligação, uma com o PC do B do deputado Flávio Dino e outra com o PSDB de João Castelo. O PSDB ganhou a disputa e é esta a aliança que melhor lembra a Frente de Libertação do Maranhão, instituída em 2006 pelo então governador José Reinaldo Tavares. A aliança que culminou na derrota do sarneisismo no Maranhão.
Em São Luís vai ser mais fácil. E esta não será uma decepção infinita.
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