Enquanto uma das principais candidaturas do grupo Sarney se isola e entra em parafuso, as alianças firmadas no campo da Frente de Libertação do Maranhão se solidificam. Partidos como PP, PV, PMDB, PSC e PTB relutam em firmar alianças com o deputado Raimundo Cutrim e temem que o DEM, isoladamente, esfacele-se e não consiga eleger um único vereador.
Na Frente de Libertação foi confirmada mais uma coligação, a que une PSDB e PSB, e anunciada a praticamente certa participação do Partido Trabalhista Cristão, do líder Edivaldo Holanda. Bastou que isso acontecesse para que a ‘Central de Boatos’ do São Francisco (jornal O Estado do Maranhão) saísse espalhando que João Castelo teria usado o governo estadual para pressionar os socialistas com cargo no Executivo, como o secretário Othelino Neto, o deputado Afonso Manoel e a ex-deputada Helena Duailibe.
A respeito disso, o secretário Othelino Neto disse ontem que Castelo é um político importante para a Frente de Libertação e está dentro do arco de alianças esperado pelo governador Jackson Lago. Essa coligação se repete em municípios importantes do Estado, e, segundo Othelino, a idéia é não nacionalizar a disputa de São Luís, pois, embora nacionalmente os dois partidos estejam em lados opostos, no Maranhão é diferente. Citou os exemplos de Imperatriz, onde o PSB vai apoiar a candidatura do tucano Sebastião Madeira, e Timon, onde o PSDB apoiará o socialista Luciano Leitoa.
De fato incomoda os sarneisistas, que disparam candidaturas sem nenhuma densidade eleitoral para todos os lados, que o governador Jackson Lago, diante da impossibilidade de reeditar a Frente de Libertação nos moldes de 2006, tenha deixado os partidos da base aliada à vontade para firmarem as alianças que lhes forem convenientes dentro do arco de partidos da Frente.
Nem era necessário, em se tratando de um dos muitos órgãos de imprensa que compõem o Sistema Mirante de Comunicação, mas Othelino esclarece que não foi pressionado por ninguém do Governo, nem sabe de mais ninguém que tenha sido pressionado. “Tanto prova que não houve pressão nem coação de delegados, que a votação pela coligação com o PSDB foi consensual. Essas insinuações apenas fazem parte do esquema do Sistema Mirante de querer desqualificar todos os candidatos da Frente de Libertação do Maranhão”, afirmou.
O discurso de João Castelo, assinalado nas páginas do JP pelo jornalista Manoel dos Santos Neto, é sintomático e lembra palavras de ordem da candidatura do governador Jackson Lago: “É muito importante para mim o apoio do PSB. Agora, juntos, vamos arregaçar as mangas com um olhar pelo social, numa luta para gerar empregos, com uma política ética, séria, decente, que não pretende vender ilusões, e, sim, fomentar sonhos e esperanças”.
Qualquer candidato da Frente de Libertação poderá dizer coisas assim durante a campanha. Nenhum candidato aliado ao grupo Sarney terá coragem de dizer coisa parecida.