Alguém escreveu que o noticiário político já começa a se confundir com o noticiário policial.
Os escândalos alimentam a imprensa e se transformam em manchetes nacionais com mais vigor que os noticiários dos jornais populares que dão notícias de bárbaros crimes capazes de provocar comoção nacional.
São figurões – essa é a verdade – os que hoje mais mancham esta nação com histórias de roubos e desvios de verbas públicas, assaltos, ataques ao patrimônio do povo, apropriações indevidas e todo esse noticiário que envergonha os políticos honestos e os homens de bem. Por conta desses figurões, tornam-se cada vez perceptíveis os sinais de que nos bastidores dessas maracutaias arma-se o espetáculo público para a volta da censura, e a imprensa se sente ameaçada no seu direito de informar e formar a opinião pública.
Tudo isso é reflexo da cultura política da corrupção que se espalhou como câncer e estendeu seus tentáculos à maioria das instituições públicas. Nunca a afirmação de Rui Barbosa “a gente chega a ter vergonha de ser honesto” foi tão perceptível. Criaram-se barreiras intransponíveis para o poder de polícia. São agentes, lobistas, empreiteiros, propineiros, enfim, uma legião de funcionários da corrupção agindo nos bastidores para reforçar as contas bancárias dos proprietários da nação, de estados e de municípios.
Infelizmente, são muitas as forças que se movimentam no sentido de trazer a corrupção para dentro do folclore nacional tornado-a tão comum que as pessoas a observam com naturalidade desprovida de qualquer sentido, encarando práticas ilícitas das autoridades como fatos comuns do cotidiano.
Maior dos males que afetam o poder público, é a corrupção também uma das principais causas da pobreza, e parece enraizada nas instituições como doença terminal da cidadania que os remédios jurídicos não alcançam mais.
Essa é a dura realidade: a corrupção política e administrativa, tida durante muito tempo como conseqüência do choque entre o interesse público e o interesse privado, recriou-se de forma ainda mais danosa unindo políticos, empresários, agentes públicos, funcionários públicos e privados e uma parte da Justiça que não consegue agir contra ela. Um exemplo disso é o escândalo da Gautama, no qual foram identificados pelo menos quatro membros da família Sarney e nenhum deles foi indiciado e muito menos denunciado pela Procuradoria Geral da República.
O escritor Oscar Wilde afirmava, no irrepreensível romance “O retrato de Dorian Gray”, que há duas maneiras de uma pessoa alcançar a civilização; uma é pela cultura, a outra é pela corrupção. Mas parece que no Maranhão tem gente que conseguiu se civilizar pelas duas maneiras.