Jornal Pequeno - 57 anos
São Luís,
Direito 2 - Notícias de Direito a cada 1 hora
Edição22,646
Edição 22,646

A Justiça Criminal que somos obrigados a (não) fazer – Parte II
O reggae maranhense e sua crise de identidade
POLÍTICA A CAMINHO DO CAOS
A INFLAÇÃO E O MONETARISMO DANOSO

A INFLAÇÃO E O MONETARISMO DANOSO

Diminuir corpo de texto Aumentar corpo de texto

Data de Publicação: 22 de junho de 2008
Envie para: Envie para o Del.icio.us  Envie para o Digg  Envie para o Reddit  Envie para o Simpy  Envie para o Yahoo My Web  Envie para o Furl  Envie para o Blinklist  Envie para o Technorati  Envie para o Google Bookmarks  Envie para o Stumble Upon  Envie para o Feed me links  Envie para o Ma.gnolia  Envie para o Newsvine  Envie para o Squidoo  

Roberto Rocha

O presidente Lula, temendo que o endividamento público venha a comprometer a imagem futura de seu governo, mas ao mesmo tempo preocupado com os rumores de tendência inflacionária, convocou reunião para discutir alternativas. Para fazer frente ao aumento crescente das taxas de juros, que tanto endivida o país, a redução dos gastos públicos, o aumento do superávit primário e o incremento da produção de alimentos foram algumas das medidas avaliadas.

Embora essas medidas não devessem pressupor emergência, a exemplo da ampliação da faixa de financiamento à produção agrícola, o problema é que virou dogma o aumento dos juros (taxa Selic) como único remédio capaz de manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. Esse programa, uma inflação num patamar de 4,5%, com uma variante de dois pontos percentuais, não pode se sobrepor às diversas e urgentes necessidades da população, a exemplo da saúde, educação, redução das desigualdades etc.

O fato é que, independente de medidas adicionais, há realmente a necessidade de controle da inflação, porém não seria através do aumento da taxa Selic o único caminho para obtenção de tal resultado. Afinal, existem outras medidas, também monetárias, capazes de produzir semelhante efeito.

Em declarações relativamente recentes, o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Abram Szajman, ressaltou que cada ponto percentual de aumento nas taxas de juros gera uma despesa anual de R$ 10 bilhões para o país. É, portanto, um custo para a sociedade maior que um programa da importância política e humana do Bolsa Família. É importante lembrar que a Selic hoje está em 12,25%, com previsão de chegar a 14,25% até o final do ano, segundo os “analistas do mercado”.

Por outro lado, e mais grave ainda, com essa política, o Brasil jamais quitará sua dívida pública, por mais que destine grande parte de sua receita tributária para esse fim. É que, sempre que o estoque da dívida diminui, logo surgem os agentes dos maus-presságios inflacionários para pregar o aumento dos juros. Pior, vendem tão danosa iniciativa como se estivessem a sugerir a salvação da pátria. São eles os “especialistas”, todos interessados, em geral funcionários de instituições financeiras, que tentam nos convencer da suportabilidade do índice da dívida em relação ao PIB, como se isso servisse de consolo.

Como todos já perceberam, é grande a bronca que tenho com esse esquema dilapidador de nossa economia. Acho inadmissível que, enquanto a população é sacrificada com uma carga tributária exageradamente alta, o que em parte reduz a qualidade de vida de muitos, uma meia dúzia se locuplete com o produto desse sacrifício. O governo bem poderia aumentar os depósitos compulsórios, ou seja, ampliar a retenção dos depósitos à vista na rede bancária, que seria uma medida talvez até mais eficaz que o aumento dos juros para o controle da demanda. Todavia não o faz para não desagradar os banqueiros, que, aliás, são os próprios dirigentes da política econômica do país e não aceitam nenhum sacrifício em sua “patriótica” atividade.

O que mais impressiona, porém, é o mutismo de certos setores e entidades diretamente responsáveis pelo controle das medidas econômicas, como é o caso das entidades ligadas à indústria e ao comércio, além, é claro, das que defendem contribuintes e consumidores. Só posso entender que esse silêncio decorra de receio em contrariar os beneficiários desse esquema, vez que é cada vez maior a força do poder econômico no mundo, especialmente aqui em nosso país.

É pena que todos estejamos de alguma forma cúmplices de uma escalada em que o econômico subordina quase todas as demais atividades humanas, fenômeno danoso que surgiu e se agigantou no mundo há pouco mais de duzentos anos.

Convém lembrar que o mundo é anterior ao monetarismo.

O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br

Recomende esta página Imprimir esta Matéria

Links Patrocinados
 
Jornal Pequeno - O Órgão das Multidões
Copyright 2002 - 2008 Jornal Pequeno. Todos os direitos reservados
Rua Afonso Pena, 171, Centro - São Luís - MA
(98) 3232-7642 Geral - redacao@jornalpequeno.com.br