Jamais poderemos contar aos céus porque os homens se deixam influenciar pela maldade, jamais poderemos dizer do sofrimento dos que são seqüestrados, ameaçados, assaltados a não ser que isso ocorra com nós mesmos.
O seqüestro da tenista Andréa Paula Goulart é um exemplo dessa doença humana que afeta alguns que escolhem o crime para que imponham suas vontades. É a sede de poder, de dinheiro, é o querer se dar bem a qualquer custo o que desmoraliza a organização social que levamos séculos para construir.
O mal tem raízes que desconhecemos. Desestabiliza uma família, um filho, um marido ou mãe saber que um qualquer daqueles que ama está em cárcere privado, nas mãos de pessoas que são capazes de tudo e, impotente, tem que esperar a ação da polícia para que o seu amor não sofra mais do que Deus permitiu.
Este editorial é uma página, um libelo, uma tentativa de tocar os corações de uma sociedade que se ameaça que faz do medo, do terror, um meio de sobrevivência. Que não sejam mais a violência, o roubo, o assalto, a fraude, a corrupção meios de vida. É preciso não estimular a dor dos outros. São anos de trabalho, de sonhos, de esperança até que se atinja o objetivo delineado para que, de repente, alguém que nunca foi capaz de fazer nada por si mesmo queira nos arrancar esta realização.
Um velho provérbio diria que estamos malhando em ferro frio. Nada é mais concreto, entretanto, que essa assertiva: violência gera violência. Os homens se matam desde de que o mundo é mundo, se punem e corrompem.
Quando abrimos as páginas dos jornais nos dias de hoje somos obrigados a ler notícias de sangue, de seqüestros, de assaltos e tudo mais que reduz o ser humano à condição dos animais.
Diz uma canção que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Porque, então, não ouvimos nossos poetas e pastores, clérigos, padres e substituímos o ódio pelo perdão, a raiva pelo carinho, o ciúme pela fraternidade, o rancor pela esperança?
Talvez, um dia, quando todos forem capazes de entender os desígnios de Deus esse editorial não pareça uma coisa inútil e as coisas de Cristo, de Gandhi, de Buda sejam respeitadas pelos homens que estão passando lentamente pela face da terra.
No modelo de sociedade que criamos sempre haverá disputas, sempre haverá alguns tendo mais que outros e outros sofrendo mais que estes alguns. Pois que possam todos entender que jamais conseguiremos viver isolados e machucando nossos semelhantes.