Brasília - O número de acidentes registrados nas rodovias federais nos primeiros três meses de vigência da Medida Provisória 415, que proibiu a comercialização de bebidas alcoólicas em estabelecimentos localizados ao longo das estradas, cresceu cerca de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. A MP, transformada em projeto de conversão, foi aprovada essa semana, pela Câmara dos Deputados. Caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformar a proposta em lei, devendo sancioná-la nos próximos dias.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), de 1º de fevereiro último, quando a MP entrou em vigor, ao dia 30 de abril, ocorreram 32.387 acidentes, com 1.497 mortos e 18.557 feridos. Em 2007, o órgão contabilizou, no mesmo período, 28.898 acidentes, com 1.531 mortes e 17.556 feridos.
Segundo o inspetor José Roberto Soares, coordenador de Controle Operacional da PRF, o crescimento no número de acidentes não indica uma possível ineficácia da medida, mas está relacionado com o aumento da frota de veículos no país, que foi ampliada em aproximadamente13%. “Nesse mesmo período do ano passado nós tínhamos uma frota de 46 milhões de veículos e esse ano já estamos com 52 milhões. Então, levando em conta o aumento da frota, não houve um aumento considerável no número de acidentes”, avaliou o inspetor.
Soares ainda destacou a redução no número de mortes que, segundo ele, aponta para uma diminuição na gravidade dos acidentes, geralmente associada ao consumo do álcool pelos motoristas.
De acordo com a PRF, o número de autuações por embriaguez cresceu cerca de 40% nas estradas federais nos primeiros meses do ano em relação a 2007. Considerando o período de 1º de janeiro até a meia-noite do último domingo (25), no qual foram incluídos 115 dias de vigência da MP, a PRF fez 4.199 autuações de motoristas bêbados. nas rodovias federais do País, número quase 40% superior às três mil autuações na mesma época do ano passado.