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Corpo de Jamelão é enterrado ao som de 'Exaltação à Mangueira'Corpo de Jamelão é enterrado ao som de 'Exaltação à Mangueira'

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Data de Publicação: 16 de junho de 2008
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Rio de Janeiro - O corpo do sambista Jamelão foi enterrado pouco antes do meio-dia de ontem, no cemitério São Franscisco Xavier, conhecido como cemitério do Caju, na zona norte do Rio. Durante o enterro, centenas de integrantes da Mangueira e amigos do sambista bateram palmas, emocionados, em homenagem ao artista. O caixão foi enterrado ao som de “Exaltação à Mangueira”, música cantada pelos presentes.

O corpo deixou a quadra da Estação Primeira de Mangueira, onde foi velado desde as 18h de sábado, por volta das 10h30 de ontem. José Bispo Clementino dos Santos morreu no sábado, aos 95 anos, de falência múltipla dos órgãos, na Casa de Saúde Pinheiro Machado, onde estava internado desde a última quinta-feira.

Integrantes da comunidade mangueirense aplaudiram a saída do caixão da quadra da agremiação carnavalesca, na zona norte do Rio. A bateria da Mangueira tocou em homenagem ao artista. Um carro do Corpo de Bombeiros levou o corpo até o cemitério.

Maracanã e Sambódromo - Dois ônibus foram alugados pela escola de samba para levar os populares ao enterro. Centenas de carros da comunidade acompanham o cortejo pelas ruas do Rio, que passou em frente ao Maracanã e pela Avenida Marquês de Sapucaí, onde fica o Sambódromo. No caminho, populares acenaram e bateram palmas.

No sábado, o presidente do Vasco, time do coração de Jamelão, Eurico Miranda, levou a bandeira do clube, que foi colocada sobre o caixão, onde também estava a bandeira da Estação Primeira de Mangueira. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), decretou luto oficial de três dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma coroa de flores. O mesmo fez o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira. O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Castanheira, disse ontem que a entidade planeja homenagear Jamelão no Carnaval 2009.

Pitanga e Alcione - Na manhã de ontem, passaram pela quadra para se despedir de Jamelão nomes como a cantora Alcione, o coreógrafo e dançarino Carlinhos de Jesus, o ator Antônio Pitanga, que foi acompanhado da mulher, a ex-governadora do Rio, Benedita da Silva, e o compositor Monarco.

No sábado, as cantoras Beth Carvalho, Rosemary, Preta Gil e a atual rainha de bateria da Mangueira, Gracyanne Barbosa, estiveram no velório. O cantor Emílio Santiago cantou a música “Ave Maria” durante a missa de corpo presente celebrada pelo padre Jorge André. Durante o velório, o cantor e compositor Zeca Pagodinho bebeu cerveja, junto com integrantes da Mangueira, como forma de prestar homenagem ao sambista.

Jamelão deixa mulher, filha e dois netos. A viúva do sambista, Delice Ferreira dos Santos, de 82 anos, acompanhou o funeral cercada de familiares. Eles estavam casados havia 58 anos, informou a assessoria da Mangueira. De Paris, onde escreve seu próximo livro, o cantor e compositor Chico Buarque, que foi homenageado pelo Carnaval da Mangueira em 1998, lamentou a morte do amigo.

“Meu amigo Jamelão era um imenso cantor e o melhor mau humor do Brasil”, declarou Buarque. Outras personalidades também lamentaram a morte do artista.

Missa e feijoada - A missa de sétimo dia de Jamelão está marcada para a próxima sexta-feira (20), às 20h, na quadra da Mangueira (Rua Visconde de Niterói, 1072, Mangueira, Rio). No sábado (21), a comunidade mangueirense fará uma feijoada para homenagear o sambista, informou a escola.

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