Joãozinho Ribeiro
Não tem dono. Não é de ninguém. É do povo”. Palavras do Secretário de Planejamento, Aziz Santos, proferidas durante a sua participação no II Fórum Estadual da Economia da Cultura, realizado há duas semanas, no Auditório da Associação Comercial. De forma semelhante tratada pelo Secretário de Indústria e Comércio, Júlio Noronha, na solenidade de abertura do mesmo evento; veementemente afirmada no discurso do Governador Jackson Lago na cerimônia de encerramento, que deu posse aos membros titulares e suplentes do Conselho Estadual de Cultura.
Maranhensidade, citada em apontamentos analíticos do professor Wagner Cabral; alvo de contundentes críticas do Senador Sarney, em sua coluna semanal no Jornal Folha de São Paulo; objeto de debates em workshops, conferências e seminários pelo Maranhão afora. Agora, acenando com a possibilidade concreta da criação de três “Embaixadas Culturais” em diferentes cidades brasileiras, de forte presença de artistas e produtores maranhenses – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
O termo ou idéia, por si só não justifica tanto alvoroço, a não ser que esteja acoplado a uma ação mobilizadora, capaz de integrar um contingente expressivo de protagonistas dispostos a lhe dá forma e conteúdo. Justamente esta talvez seja a verdadeira razão da incomodação de alguns e da mobilização de tantos agentes culturais, que passaram a construir em seus próprios territórios de expressão os fundamentos dos respectivos Sistemas Municipais de Cultura.
Não pensem, caros leitores, que irá parar por aí. A Cultura, como questão central e estratégica, será ingrediente obrigatório do cardápio das eleições municipais de 2008. Isso não se dá por passe de mágica ou campanha midiática (aliás, nas peças publicitárias do São João deste ano a expressão até desapareceu). Dá-se em virtude de uma grande construção coletiva desencadeada em todo estado, desde os primeiros dias do Governo Jackson Lago.
“Maranhensidades”, “Implantação Pactuada com os Municípios do Sistema Estadual de Cultura” são pontos prioritários incluídos entre as 12 diretrizes do Programa “Maranhão Cultural: A Imaginação a Serviço da Cidadania e do Desenvolvimento”. Não pertence ao nosso Governo, faz parte dele; até mesmo porque ilustres figuras como os escritores e jornalistas Ribamar Reis e Herbert de Jesus Santos, arautos intransigentes da expressão, já a apregoavam em suas trincheiras jornalísticas. O primeiro, de forma expressa; o segundo, de modo implícito, porém coerente com as suas convicções.
Sábado passado, em plena manhã, no Bar do Bigode (sem grogue), concedi uma caudalosa entrevista para contribuir com uma monografia de uma estudante da UFMA, diga-se de passagem, de aguçada inteligência e perspicaz em suas precisas observações.
A Maranhensidade foi o centro da temática do trabalho acadêmico. Já o tinha sido em mesa específica de um Fórum de Cultura realizado acerca de um mês, em Açailândia. Palavra em construção permanente, utilizada de forma natural e orgulhosamente por centenas de gestores municipais, que estarão celebrando convênio com a SECMA esta semana, resultante de Edital Público, para apoio aos festejos juninos de 2008.
O Senador que hoje representa o Estado do Amapá decretou que as expressões “São João do Maranhão” e “Carnaval do Maranhão” são eternas e imutáveis (ou imexíveis, como diria o Magri, nos tempos do Cóllera). Não sei, não. “O povo sabe o que quer, mas quer também o que não sabe”, como costuma afirmar o Ministro Gil. Só sei que a última palavra é sempre a dele. Nas urnas, nas ruas, nos festejos, no trabalho...e precisa ser também no compartilhamento das riquezas por ele geradas.
No meu parco entendimento, Maranhensidade é o engenho e arte do povo maranhense. É a belíssima exposição “O Universo de Arthur Azevedo”, que será aberta pelo Governador Jackson Lago, nesta segunda-feira, na Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro; é o encantamento do cântico de Humberto de Maracanã e de João Chiador, que fizeram a consultora especial da Unesco, Ana Carla Fonseca Reis, chorar de emoção, minutos antes de sua conferência, na abertura do II Fórum Estadual da Economia da Cultura; é a monografia da menina da UFMA, deslumbrada com a grandeza dos nossos saberes e fazeres; é a satisfação geral com os índices obtidos pela área da Educação do Maranhão, coordenada pelo Secretário Lourenço Vieira da Silva; é o Projeto Mosaico, que tem por objetivo a promoção da cidadania a partir de práticas educativas, desenvolvendo ações de preservação do patrimônio de maneira integrada entre escola e comunidade, que será lançado no próximo dia 20, na Casa do Maranhão, sob a competente batuta da Secretária Eurídice Vidigal.
Enfim, sem pretender encerrar a conversa, finalizo com uma frase de um filósofo norte-americano, cujo nome no momento me foge à memória:
“O silêncio é linguagem dos deuses. O resto é má tradução”.
O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.