Roberto Rocha
Vinte dias atrás, o Maranhão foi palco de um evento deveras auspicioso: o ministro das Minas e Energia, senador Edison Lobão, anunciou a instalação, pela Petrobras, de uma nova refinaria premium em terras maranhenses, com compacidade para processar 600 mil barris de petróleo por dia. Um investimento, segundo o ministro, de U$ 20 bilhões – algo próximo de R$ 37 bilhões.
Havia muito o Maranhão aguardava um empreendimento desse porte. Afinal, os maranhenses, que tanto contribuíram para a formação e o desenvolvimento do Estado brasileiro, assistiram à instalação, com os recursos que também lhes eram comuns, de empreendimentos redentores em outras regiões, a maioria no centro-sul do país, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A tudo isso o Maranhão assistiu tal qual um menino com o nariz colado no vidro da loja de doces, principalmente durante os cinco anos em que o presidente José Sarney deteve as “chaves da doceria”.
Agora, depois de um anúncio pomposo, uma festa bonita, que contou com a senadora Roseana como mestra de cerimônia, vêm os diretores da Petrobras empanar o brilho do evento com afirmações que enfraquecem o quanto disse o ministro Edison Lobão. Na Folha de São Paulo, nas edições dos dias 06, 10 e 12 deste mês, portanto bem depois da festa, o Sr. Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento e refino da estatal, e o Sr. Sérgio Gabrielli, presidente, depois de confirmarem as refinarias do Ceará e do Rio Grande do Norte, inclusive com assinatura de protocolos, deixaram transparecer pouco entusiasmo quanto ao empreendimento no Maranhão.
Sobre o Ceará, mesmo sem festa, o diretor afirmou: “Sobrevoamos a possível área de instalação da refinaria, ao lado do porto, e concluímos que é adequada”. Sobre o Maranhão, disse ele: “Teremos o mesmo procedimento que fizemos no Ceará. Não tenho muito o que comentar, pois preciso ir lá”, disse, dando a entender que tudo depende ainda de sua aprovação. Quando perguntado sobre os U$ 20 bilhões informados pelo ministro para o investimento no Maranhão, o Sr. Costa foi curto e grosso: “Não pode pegar uma refinaria de 300 mil barris que custa ‘x’ e multiplicar por dois, porque não é regra direta de valor”. Seu enfadonho laconismo fez voláteis as afirmações orçamentárias do ministro, deixando bastante claro que não transita pelos adequados desvelos da diplomacia.
Pelo que entendo, somente o presidente Lula poderia desautorizar o seu ministro das Minas e Energia, o que verdadeiramente não foi o caso. Dessa forma, deploramos as declarações dos dirigentes da Petrobras quando colocam ainda em dúvida a implantação e o valor da refinaria anunciada pelo ministro ao Maranhão. E tudo fica mais grave e preocupante em razão de o senador José Sarney já ter prometido aqui, também num período eleitoral, uma grande refinaria, o que, de fato, nunca passou de uma tremenda empulhação.
Ao anúncio feito por Edison Lobão, ministro da área, não deveria caber nenhuma dúvida, vez que é ele a autoridade competente para tal. Quando ele disse, porém, que esse investimento está vindo para o Estado devido à força e ao prestígio político do ex-presidente José Sarney, ficamos realmente preocupados, pois aparenta um gentil obséquio, de cunho lisonjeiro, que tanto alenta quanto ilude, tanto no Maranhão quanto o Amapá.
Sem balacobaco, ziriguidum ou telecoteco, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte já estão com suas refinarias asseguradas, segundo o diretor Paulo Roberto, da Petrobrás. Pelo visto, os líderes políticos daqueles Estados estão com mais prestígio que o senador José Sarney, do Amapá, Estado que ainda não cogita reivindicar a sua refinaria entre as muitas que a Petrobrás está construindo Brasil afora.
O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br