Quantos maranhenses o Sistema Mirante de Comunicação pretende levar ao sacrifício? Quantos quer feridos, lesionados, esquartejados para alimentar o ódio da família Sarney pela secretária Eurídice Vidigal e pelo governador Jackson Lago?
Sede de sangue. É o que exala de cada palavra de seus repórteres, redatores, locutores obrigados a cumprir a mais nefasta missão que um órgão de imprensa, provavelmente em toda a história da Galáxia de Gutemberg, já entregou a seus profissionais: transformar São Luís na gruta de Ali Babá, na cidade do medo, na Babilônia virtual, na Bagdá salteada, explosiva, construída por uma política nojenta, inominável.
Sem nenhum respeito pela autoridade, dizem com todas as letras, em editorial, que o coronel comandante do Policiamento Metropolitano de São Luís, “Raimundo Melo” (não sabem nem o nome do Coronel Francisco Melo!), e o Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Antônio Pinheiro Filho, são dignos de ovos e tomates vencidos. Perderam o respeito, estão ensandecidos, não percebem mais a diferença entre jornalismo e desmonte moral das autoridades públicas.
É a hora de chamá-los à lei. O Direito não costuma ser complacente com condutas que visam implantar no seio da comunidade as sementes do medo e da insegurança, já disse o jurista Pablo Morales.
A sociedade, infelizmente, é sujeito ativo e passivo da incitação ao crime planejada por políticos, produzida por editores e publicitários e espalhada por profissionais sem consciência em São Luís a que, assim como no passado, deram de novo o nome de Arrastão.
Uma pergunta: onde o Sistema Mirante guardou os bicos de seios arrancados a faca na Rua Grande? Por quanto se vende um profissional de imprensa para inventar uma coisa dessas? Onde estão as cabeças quebradas, as pernas decepadas, os peitos baleados, os intestinos estripados pelos revólveres, escopetas, chuços, facas, facões do formidando “Arrastão” que noticiaram com vozes embargadas e altissonantes de correspondentes de guerra? Quem sabe nos hospitais para onde foram levadas as vítimas da Operação Tigre?
A sandice ultrapassou os limites de qualquer patologia conhecida no mundo psiquiátrico. É com os votos dos mutilados, dos desfigurados, dos lesionados, dos mortos de São Luís que eles querem vencer as eleições.
Talvez não seja caso de surpreender que eles criem assassinos, como fizeram com o senador Epitácio Cafeteira, ou tenham apoiado a “Operação Tigre”, que matou mais de 100 pessoas na região tocantina. Mas em que lhes estimula ouvir os lamentos da população de São Luís, os gritos de terror e pânico de um povo inteiro, ainda não percebemos.
Essa cidade merece mais que sangue e ódio, senhores da Mirante. E mesmo vocês, sujeitos a tanto ridículo, submetidos profissionalmente a essa coisa sem nome, acabam sendo seres humanos, precisam de uma biografia menos fedorenta. Não se deixem sujar por essa gente a esse ponto. Jornalistas noticiam, não criam situações perigosas, não inventam cadáveres, não fazem apologia do crime nem dos criminosos.
Presumimos que a maioria de vocês tenha filhos. Não permitam que o futuro ou a posteridade conte a eles o que vocês estão sendo capazes de fazer. Eles não merecem saber disso.