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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 12 de junho de 2008
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O COMPADRE DEMÓSTENES

SALVADOR – Longo tempo atrás, na década de 40, Demóstenes tinha uma rede de alto-falantes no bairro da Liberdade, aqui em Salvador, o mais populoso da cidade, com seus numerosos afluentes, como o Candeal, de onde saíram o universal grupo Timbalada, do vulcânico Carlinhos Brown, o poderoso Arcelino Freitas “Popó” e tantas outras glórias baianas.

Toda manhã, toda tarde, com seu vozeirão, Demóstenes ia para o microfone e fazia propaganda de seus morins e botões, seus sabonetes e perfumes, suas fitas, linhas e agulhas. Até que a guerra e a ditadura acabaram, vieram a redemocratização, a anistia e as eleições.

Uma tarde, Demóstenes comunicou ao povo que era candidato a senador, pelo PPB (Partido Proletário do Brasil) e começou a campanha.

Passava manhãs e tardes falando sobre os problemas da Liberdade, de Salvador e da Bahia. A campanha não pegou. Ninguém levou a sério. Demóstenes recuou e anunciou que seria candidato a deputado federal.

O PPB

Demóstenes entrava noite adentro falando, falando. Mas ninguém acreditava que ele, apesar da força do nome, da beleza da voz e do charme da sigla, conseguisse eleger-se. Demóstenes recuou de novo. Disse que ia sair para deputado estadual. E continuou falando, falando, até a madrugada.

Nem assim a campanha pegou. Um dia, desesperado, resolveu ser humilde e começar do começo. Seria vereador, quando viessem as eleições municipais. E por isso iria fazendo a campanha desde já. Aí todo mundo acreditou. E o povo começou a chamar Demóstenes de vereador.

Mas o Tribunal Eleitoral negou registro ao diretório baiano do PPB. Demóstenes ficou sem legenda. No dia seguinte, a praça municipal amanheceu com uma faixa enorme, bem em frente ao elevador Lacerda:

“Demóstenes avisa a seus amigos e eleitores que não vai mais ser candidato a merda nenhuma”. E escreveu o palavrão em letras vermelhas.

A FAIXA

Um venerando e sábio jornalista aqui da Bahia relembrou ontem a história do Demóstenes, impressionado com a constância com que o compadre de Lula, Roberto Teixeira, sempre usou e abusou das administrações do PT, sejam municipais, estaduais e sobretudo da de Lula.

E me sugeriu que, depois de contar a história de Demóstenes, fizesse um apelo a Lula para exigir uma declaração publica do compadre Teixeira:

“Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, promete ao país que, até o fim do governo, não promoverá mais merda pública nenhuma.” Ajudaria mais Lula do que todos os seus líderes no Congresso.

O TEIXEIRA

Nos primeiros grandes escândalos das administrações do PT em São Paulo, duas décadas atrás, quem estava no comando? O compadre Teixeira.

Quando a imprensa perguntava de que vivia Lula, depois de deputado (de 86 a 90) até ser presidente em 2002, a resposta era sempre a mesma:

- Vive na casa do compadre Teixeira.

Desde os governos Fernando Henrique, e sobretudo a partir de Lula em 2002, o compadre Teixeira nunca saiu das histórias mal contadas, dos escândalos, dos negócios turvos do poder. A Transbrasil explodiu, quem estava lá arrombando portas, faturando facilidades? O compadre Teixeira.

Há anos, desde que a Varig entrou em crise, os jornais, revistas e televisões contam as tacadas e sacadas do compadre Teixeira no mafuá.

A FOTO

1. A “Veja” publica uma foto enorme de toda a “diretoria” da VarigLog, quando o punhado de picaretas, americanos e brasileiros, negociava o seu controle. Quem estava lá na ponta, comandando o espetáculo? O compadre Teixeira, com as filhas advogadas.

E, no centro, inocente utilíssimo ou cúmplice compadríssimo, o presidente Lula. Que ainda se deu ao desfrute de assinar a foto:

“Para o amigo (sic) Marco Audi, um abraço do Lula.”

2. Valeska, advogada, filha do compadre Teixeira, para pressionar a direção da Anac, que exigia o cumprimento da lei (segundo a “Veja”): “Podemos ir embora, papai já está no gabinete do presidente.”

O GOLPE

3. – “Os 418 milhões de dólares da diferença entre a proposta da TAM (maior e rejeitada) e a da Gol (menor e aceita) trarão em seu bojo um escândalo incomensurável , se ficar provada a ingerência, no episódio, do advogado Teixeira, amigo e compadre do presidente da República” (Veja).

4. “O objetivo era retirar os brasileiros e deixar a VarigLog (que mais tarde compraria a Varig por US$ 24 milhões e venderia à Gol por US$ 320 milhões) com o capital estrangeiro, o que a lei proíbe. Pressionada, a Volo do Brasil declarou à Anac que não havia contrato de gaveta entre os sócios. A confirmação do contrato, ao qual O Globo teve acesso, pode anular a operação por fraude. O escritório de Roberto Teixeira, amigo e compadre do presidente Lula, representava a Volo do Brasil” (O Globo).

O CIDADÃO

Baiano da minha Jaguaquara, agora também sou de Salvador. A Câmara Municipal de Salvador, a primeira e mais antiga do Brasil (459 anos, fundada por Tomé de Souza), por proposta de seu presidente, Valdenor Cardoso, aprovada por unanimidade, me entregou sexta-feira, numa inesquecível solenidade, o título de “Cidadão da Cidade do Salvador”. Eu já era um baiano meio abusado. Agora, posso ficar insuportável.

(www.sebastiaonery.com.br)

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