41 anos. Durante todo esse tempo a população de São Luís acostumou-se a ter no Jornal Pequeno um instrumento da verdade. Não da verdade absoluta, porque este matutino é feito por homens e, como tal, passível de erros. Mas, mesmo errando, o objetivo tem sido sempre o de acertar, o de clarear, não o de confundir. Foi assim quando nasceu, pequeno como empreendimento, mas tendo como horizonte a grandeza do povo maranhense. Que, em momentos decisivos, sabe o que quer.
Assim é o JP. Não se pretende um conglomerado. Quer apenas ser simples, objetivo, corajoso, verdadeiro, como a gente maranhense.
O que fizemos ontem, quando vimos a população de São Luís em pânico, foi desconfiar. Como jornalistas, temos a virtude de desconfiar e investigar. A população não pode ser enganada, “passar batida”.
Podemos admitir que a miséria é um espelho da Nação, que a violência é um câncer e se dissemina pelo Brasil afora. Mas é cedo para que a capital do Maranhão atinja o nível e o requinte de organização do Rio de Janeiro, por exemplo. Não restam dúvidas de que o “arrastão” de São Luís foi uma imitação barata e com objetivos definidos, embora não confessados.
O mais grave de tudo isso é fazer com que a população atinja o clímax da indignação, estimulando o ódio mais exacerbado contra a delinqüência juvenil, que, queiramos ou não, é uma conseqüência real do descaso da sociedade e dos vários níveis de poder para manter privilégios. O que, aí sim, terminará por criar condições, num futuro não muito distante, para um arrastão final que polícia nenhuma conseguirá deter...
Eis aí o alerta para quem brinca com fogo e com a dor humana. Para esses, o governo do estado deve debitar, e cobrar, imediatamente, os prejuízos causados pelo pseudo-arrastão de terça-feira [17 de novembro de 1992]. (Editorial do JP de 19 de novembro de 1992)