POR JULLY CAMILLO
O JP entrevistou ontem vários comerciantes e trabalhadores da área central de São Luís e eles foram unânimes em afirmar que não testemunharam nenhum “arrastão” no centro – como divulgaram os veículos de comunicação do Sistema Mirante –, e sim baderna provocada por estudantes, desocupados e vândalos, que quiseram tirar proveito da falta de energia elétrica e da chuva.
Segundo relatou Sandra Adeline, secretária de uma escola de idiomas, situada a rua Grande, Centro, por volta de 17h, estudantes do Cegel marcharam em passeata rumo à praça Deodoro, protestando contra o aumento de passagem. Ela afirmou que como a passeata estava no início, os estudantes estavam aparentemente tranqüilos e não ingeriam bebidas alcoólicas. “Por volta de 18h15, fui até a rua Grande e me deparei com uma situação de pânico criada por algumas pessoas. Sempre que há uma manifestação, acontece essa história de arrastão. A verdade é que não conheço ninguém que tenha sido assaltado e também desconheço lojas que tenham sido saqueadas. O que ocorreu foi um tumulto no momento em que faltou energia, e com as pessoas gritando ‘arrastão’ muita gente acabou adentrando as lojas que ainda permaneciam abertas, como foi o meu caso”, esclareceu a secretária.

Uma funcionária da C&A, de nome Vanessa, explicou que com os rumores que se espalharam rapidamente pelo centro comercial, a gerência achou melhor fechar a loja mais cedo e alguns clientes que estavam no interior do estabelecimento preferiram aguardar a volta da energia e a estiagem da chuva. Mas nada foi levado da loja e ela afirmou que até o momento em que ficou no estabelecimento ninguém havia sido assaltado.
O taxista Ronaldo Neri, que trabalha há vários anos no ponto localizado em frente à Biblioteca Benedito Leite, informou que só viu a manifestação dos estudantes, mas não presenciou nenhuma “onda” de assaltos, como chegou a ser noticiado por um veículo de comunicação. “É lógico que assaltos e pequenos furtos fazem parte do cotidiano de quem freqüenta a rua Grande, mas querer afirmar que essa situação é um problema de agora, é mentira. Isso sempre aconteceu aqui na Deodoro e não é de hoje. Atualmente isso até melhorou, pois a PM tem estado aqui diariamente e com isso tem evitado muitos delitos. A única coisa que presenciei nesta terça-feira foi estudantes apedrejando ônibus coletivos, inclusive um dos motoristas chegou a descer do transporte com um facão na mão”, disse o taxista.
Segundo Antonio Carlos Ferreira, gerente de uma loja de créditos, da rua Grande, o que ocorreu foi uma briga entre gangues por volta de 17h30, na Praça Deodoro, e alguns desocupados aproveitaram para gritar e intimidar as pessoas que ali estavam. “Não foi essa loucura que estão dizendo. Nós, comerciantes, fechamos nossos estabelecimentos por conta do pânico gerado diante da situação e não porque vimos assaltantes invadindo lojas, ou pessoas sendo atacadas”, explicou o gerente.