Quem lembrar a acachapante derrota do ex-senador João Alberto para a deputada Conceição Andrade e a sanha da família Sarney por recompensá-lo de qualquer forma, recordará a era dos arrastões armados em São Luís.
O objetivo era tão-somente criar um clima insustentável de insegurança em São Luís para, assim, justificar a nomeação do senador João Alberto para o cargo de Secretário de Segurança Pública.
Os motineiros tupiniquins pareciam querer seguir a lição dos que se amotinaram no Rio de Janeiro, organizando meninos de rua e filhos de gangue em arrastões pelas praias nobres da cidade maravilhosa, como Copacabana e Ipanema, para liquidar a fatura da derrota do caudilho Leonel Brizola. A fórmula é antiga. Antes mesmo que os arrastões pagos em moeda de pobreza descessem os morros, os repórteres da Rede Globo já estavam lá com toda parafernália técnica possível à espera de fazer a grande filmagem que serviria para provocar um clima de pânico, uma comoção social tão grave a ponto de derrubar o governador do Estado do Rio e o então secretário de Segurança Pública. Anteontem e ontem, também, os repórteres da Mirante/Globo chegaram antes, para fazer a cobertura do que já sabiam que ia acontecer.
Essa é a mesma história dos arrastões que começam a armar em São Luís, coisa completamente ilógica para a capital maranhense. Querem, por força, alimentar a greve da Polícia Civil com mais esse dado de insegurança. Todos sabem que em uma rua freqüentada como a Rua Grande, ou Praça Deodoro, se três ou quatro moleques bem pagos e orientados gritarem “Arrastão”, a multidão inteira se deslocará em alta velocidade para todos os lados, criando um clima de pânico que se arrastará por todas as transversais e proximidades e dando oportunidade aos verdadeiros marginais de agirem.
Na época de João Alberto, o Jornal Pequeno denunciou a armação que acabou sendo desmascarada pelo então secretário de Segurança, Leofredo Ramos, convocado que foi pela Assembléia Legislativa para falar sobre o assunto. De tal forma, que eles sequer tiveram a coragem de nomear João Alberto para a Secretaria de Segurança.
Parece que não aprenderam a lição, porque o Sistema Mirante prossegue, conclamando, incitando, provocando, convocando, noticiando marginais e inocentes úteis da oportunidade de transformar São Luís na cidadela do perigo iminente e sem fronteiras.
Como dissemos em editorial àquela época, quinta-feira, 19 de novembro de 1992, trata-se de mais um pseudo arrastão, mais uma farsa de arrastão. O objetivo, então, era diferente, levar o então senador João Alberto ao cargo de secretário de Segurança Pública do Maranhão. O objetivo, agora, tudo indica ser outro.
Como naquela terça-feira, o filme se repete, desta vez colorido pela tinta-sangue de um povo que sequer sabe porque estão fazendo isso com sua cidade. A população de São Luís foge em carreira desabalada pelas ruas como se de repente todos os bandidos do Maranhão marcassem encontro no mesmo lugar. E aos gritos de “Arrastão, Arrastão! Pega! Pega! Bala! Bala!, o povo foge do povo sem saber que na verdade está fugindo do homem que deve tudo a ele, que dele fez governador e até presidente da República.