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Meninas contam na PF como eram molestadas em Roraima

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Data de Publicação: 11 de junho de 2008
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Após a prisão em Boa Vista (Roraima) de uma quadrilha de pedófilos, durante a Operação Arcanjo, na semana passada, continua o trabalho da polícia para colher os depoimentos das meninas – crianças e adolescentes – vítimas dos abusos sexuais. Até a segunda-feira, 19 vítimas já haviam prestado depoimento na PF. Outras quatro devem ser ouvidas nos próximos dias.

O ex-procurador geral de Roraima está envolvido com pedofilia

Os relatos são surpreendentes. As meninas falaram como eram assediadas, molestadas, drogadas e algumas confirmaram até os valores pagos pelos pedófilos: de R$ 100 a R$ 300, dependendo da idade. Membros do Ministério Público Estadual (MPE) e do Conselho Tutelar de Boa Vista também participam dos interrogatórios. Todos os depoimentos são acompanhados pelos pais. Os pais disseram não ter conhecimento dos abusos sexuais que os filhos estavam sofrendo. Algumas novas vítimas ainda devem surgir com os depoimentos das menores já ouvidas.

Tarefa difícil – Participar dos depoimentos tem sido uma tarefa difícil, segundo o conselheiro tutelar Tarcísio Vital. “Crianças e adolescentes relatam todo o tipo de abuso sexual e de uso de drogas. Elas não tinham consciência do que estava acontecendo. Não sabiam que o que estavam fazendo com elas é um crime grave”, relatou Vital.

Perguntado sobre qual seria o depoimento que mais lhe chamou atenção, o que mais lhe comoveu, o conselheiro disse que constatou que “a igualdade da maldade não tem grau”. Uma adolescente, inclusive, foi enviada para outro estado por estar ameaçada. “Todas estão em situação de risco, porém essa jovem apresentava um caso mais agravante”, disse, sem informar mais detalhes sobre o caso.

Crianças, adolescentes e os pais já estão recebendo acompanhamento psicológico do Estado. As vítimas, crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, são originárias de famílias carentes.

Exploração diária – Um fato destacado por Tarcísio Vital foi a freqüência dos encontros sexuais. No caso do ex-procurador-geral Luciano Queiroz, ele molestaria as vítimas diariamente, pela manhã, tarde e noite.

“Os crimes são bárbaros. Só pelas imagens das gravações feitas pela polícia a população pode tirar suas próprias conclusões”, relatou. Tarcísio Vital disse ainda que um dos acusados teria o hábito de “apadrinhar” crianças para tentar molestá-las depois.

Foram presos, acusados de fazerem parte de uma rede de pedofilia, o ex-procurador-geral do Estado de Roraima, Luciano Alves de Queiroz (já exonerado), o major da Polícia Militar Raimundo Ferreira Gomes (apontado como um dos agenciadores), a dona-de-casa Lidiane do Nascimento Fao, e o marido dela, o tapeceiro Givanildo dos Santos Castro (ambos também apontados como agenciadores e líderes da quadrilha).

Além destes, foram detidos o empresário Jackson Ferreira do Nascimento, o funcionário do Tribunal Regional Eleitoral Hebron Silva Vilhena e os irmãos empresários José Queiroz da Silva e Valdivino Queiroz da Silva.

Os suspeitos foram acusados de estupro, atentado violento ao pudor, formação de quadrilha, corrupção de menores, submissão de menores e adolescentes à prostituição. Além desses crimes, Lidiane e Givanildo também responderão por tráfico de drogas.

(Andrezza Trajano, da Folha de Boa Vista)

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