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Seagro começa a trocar 87 ton de arroz contaminado com fungo

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Data de Publicação: 11 de junho de 2008
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O anúncio da troca de 87 toneladas de arroz contaminado com o fungo gerador de uma micotoxina causadora do beribéri foi feito ontem, pela manhã, durante entrevista coletiva da qual participaram os secretários de Estado da Agricultura, Domingos Paz, e Saúde, Edmundo Gomes e representantes do Ministério da Agricultura e Abastecimento, Embrapa, Conab. A contaminação do arroz se dá por conta da armazenagem inadequada.

Foto:GERALDO FURTADO
Domingos Paz anunciou a aquisição de novos instrumentos de controle do beribéri nos depósitos de arroz

A doença – síndrome neurológica por hipovitaminose B1, o beribéri – matou mais de 40 pessoas em 2006, no sudoeste do Maranhão (Imperatriz e região). Desde 2007, o estado não registra nenhum óbito causado pela enfermidade, graças à ação integrada entre órgãos dos governos do estado e federal. Uma das ações adotadas para conter o problema será a troca de arroz contaminado, anunciada ontem.

“Identificado o problema, o governo do estado logo tomou providências, aprofundando as ações por meio de cooperações institucionais. O problema existe por uma série de fatores, e um deles é o modelo de agricultura”, explicou o secretário Domingos Paz.

Para o secretário Edmundo Gomes, bons frutos já se colheram conseguindo dominar o número de óbitos e reduzindo o número de casos. “As secretarias de Estado da Saúde e Agricultura têm andado de mãos dadas para resolver o problema”, observou Gomes.

Segundo levantamento da comissão de enfrentamento do beribéri, a doença associada à ausência de vitamina B1 não está apenas na questão do armazenamento do arroz. Há outros fatores apontados como causas da doença como a manipulação de agrotóxicos e equipamentos (ver quadro em destaque).

Troca de arroz - A partir de levantamento do quantitativo de arroz estocado no estado, por solicitação do Ministério da Agricultura, realizado em 33 municípios maranhenses, a Secretaria de Estado da Agricultura traçou um novo plano de logística de troca de arroz com foco no combate do beribéri, que está sendo reapresentado ao órgão federal.

Todo o arroz da troca foi adquirido pela Conab na região de Balsas. Cerca de 200 toneladas do produto com casca passaram por beneficiamento e foram embalados antes de ser destinado à troca.

Dentro dos próximos dias será concluída a troca nas regionais de Açailândia e Imperatriz.  A equipe da Seagro já recolheu todo o arroz contaminado na região de Santa Inês e já está na regional de Barra do Corda. O tempo previsto para a operação de troca será de no máximo duas semanas nas quatro regionais.

O secretário Domingos Paz anunciou que a Seagro está adquirindo medidores de umidade e temperatura para serem utilizados como instrumentos de controle nos depósitos de arroz. Mas, a principal arma do combate ao beribéri será a adoção de silos, cujos modelos foram apresentados durante a entrevista coletiva, e que Paz considera “uma necessidade para reduzir e mudar o comportamento e práticas na agricultura”.

No período de 23 a 26 de junho acontece também o treinamento para técnicos agrícolas no município de Imperatriz, promovido em conjunto pelas Secretarias de Saúde e Agricultura e Ministério da Agricultura.

Para o coordenador do programa e chefe da Vigilância Sanitária da SES, Arnaldo Muniz, as práticas seculares na agricultura no país precisam urgentemente ser modificadas. Essas práticas seculares, segundo Muniz, não se dão somente no Maranhão, mas em outras unidades da federação. No estado do Tocantins, 32 casos de beribéri foram registrados este ano. Outros casos foram registrados também no vizinho estado do Pará.

FATORES CAUSADORES DO BERIBÉRI

O beribéri é ocasionado não por um fator isolado, mas por vários fatores agregados tais como:

Monotonia alimentar

Uso exagerado de álcool

Uso freqüente e inadequado de agrotóxicos

Presença de uma micotoxina de nome citreoviridina, ocasionada pelo fungo Penicillium citreonigrum (presente em grãos, principalmente arroz, que estejam em condições inadequadas de armazenamento, seja em depósitos próprios ou nos das usinas beneficiadoras

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