O corregedor da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro), deputado Luiz Paulo (PSDB-RJ), entregou ontem o pedido de cassação do deputado Álvaro Lins (PMDB-RJ) para a Mesa Diretora da Casa. A expectativa inicial era de ele entregar o pedido de cassação só hoje, mas Luiz Paulo finalizou seu relatório no final de semana e adiantou a entrega do pedido de cassação de Lins para ontem.
Luiz Paulo disse não ter dúvida de que Lins quebrou o decoro parlamentar. “As provas são várias. Ele empregou três indiciados em seu gabinete. Outros quatro parentes dele ou do sogro dele foram indiciados. Três citados trabalham no seu gabinete”, disse o corregedor.
Para o corregedor, o interesse de Lins na nomeação de delegados da Polícia Civil do Rio continuou mesmo após ele sair da corporação e ser eleito deputado. “A conexão dele com a nomeação de delegados continuou.”
A Mesa Diretora da Alerj deve se reunir às 11h de amanhã para analisar o pedido de cassação de Lins. Luiz Paulo disse que acredita que não haverá corporativismo na análise do pedido de cassação de Lins. “O que está em jogo é a imagem da Casa.”
Lins foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Segurança Pública S/A, mas foi solto por decisão da Alerj. Ele prestou depoimento ao corregedor na semana passada em sessão reservada em uma sala isolada por cordas e seguranças. No depoimento, Lins alegou não haver provas concretas contra ele.
Operação Segurança Pública – O TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região decretou a prisão de dez pessoas, e o Ministério Público Federal denunciou 16, incluindo o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB).
Para a PF e a Procuradoria, Lins e Garotinho mantiveram um esquema com policiais corruptos que protegia os contraventores Rogério Andrade e Fernando Ignácio na guerra pelo controle de caça-níqueis no Rio. Segundo a PF, o grupo utilizava delegacias estratégicas, principalmente a de Proteção ao Meio Ambiente, para as ações.