SÃO PAULO - Após quatro horas de impasse no apartamento da família Jatobá em Guarulhos, o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foi preso pela polícia na noite de ontem. Algemados, ambos foram levados, em viaturas separadas, até o 9º Distrito Policial, do Carandiru, onde serão notificados oficialmente da prisão preventiva. Os dois tiveram a prisão decretada pelo juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Ele acolheu denúncia do promotor Francisco Cembranelli acusando Alexandre e Anna Jatobá pelo homicídio triplamente qualificado da menina Isabella Nardoni, que no dia 29 de março foi atirada do 6º andar do edifício London, na vila Izolina Mazzei.

No destaque, Alexandre Nardoni na viatura policial
As viaturas policiais saíram sob protesto de cerca de 1.500 pessoas, que se aglomeraram na frente do edifício. A polícia fez uma barreira com cavaletes de madeira, para limitar o acesso das pessoas na região e facilitar a saída das viaturas. A rua também foi interditada nos dois sentidos, onde a movimentação de jornalistas também era grande.
A chegada do casal à delegacia também foi tumultuada pelos jornalistas e pessoas que estavam no local. Vários repórteres tentaram conversar com Anna Jatobá e Alexandre assim que eles desceram das viaturas, protegidos por policiais, mas não conseguiram.
Depois de serem notificados, Alexandre e Anna Jatobá devem ser levados para o IML para exames de corpo de delito e, depois, para as unidades onde ficarão presos. Possivelmente, o pai da menina ficará no 13º DP, na Casa Verde, e a madrasta no 89º DP, no Morumbi, ou 97º DP, na Vila Guarani.
O advogado do casal, Marco Polo Levorin, adiantou que deve entrar com pedido de habeas-corpus a favor do casal.
Para Cembranelli, se a prisão não fosse decretada, o julgamento dos dois pelo 2º Tribunal do Júri, no Fórum de Santana, poderia demorar até seis anos. "Estando eles soltos, não tenho dúvidas de que não teremos qualquer desfecho antes de cinco ou seis anos", declarou. Na opinião do promotor, se o casal for preso, o júri pode sair até o fim do ano. Quando os réus estão na cadeia, todos os prazos do processo são menores e a defesa tem menos interesse em protelar a ação penal com recursos. "Espero que o Poder Judiciário aja neste momento. A sociedade espera isso."