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Coluna do Othelino

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Data de Publicação: 8 de maio de 2008
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FINALMENTE, UM PROFETA SEM BÍBLIAS

JM Cunha Santos (interino)

Não devemos crer que exista forma legal e legítima de ser rico, ou perfeitamente moral de ser importante. E isso é natural na sociedade compungida por classes e distâncias.

Quando chegam à idade adulta, as pessoas expõem sinais visíveis de espancamento. Estão cercadas de filhos e/ou propostas e cada vez mais vulneráveis a seus próprios desejos. O que nos acorda e acolhe são as tragédias, não as alegrias humanas. É só ler as notícias.

Até aquele momento, quando o dinheiro passa a ser responsável por todas as nossas conquistas, não sabemos que as leis apenas fertilizam uma idéia permanente de paz e tranqüilidade. Quando, finalmente, ficamos sabedores que foram as leis que geraram os crimes, já estamos preparados para corromper tudo, inclusive as ciências sociais. Trocamos pessoas, almas, por beleza física, sinceridade por perfumes, dignidade por automóveis, mas continuamos a alegar que pertencemos ao planeta do Bem.

A bem da verdade, não tivemos outras preocupações que não fossem sexo, alimentação, beleza física e higiene.

A fama, entretanto, não é triste, porque eleva o ser humano. Mas, entre bilhões, apenas alguns nomes se destacam. Os daqueles que começaram sendo justos e terminaram sendo cruéis.

Enquanto ouço falar de uma coisa esquisita chamada intercâmbio de teorias, chamo o meu profeta e, rapidamente, ele define o destino da humanidade: ela vai se extinguir por inadimplência com o bom.

ESCOMBROS

Minhas veias estavam partindo. O homem se demorava sangrando nos parapeitos da cidade e era perfeita a idéia de estar com a mulher dele.

Os responsáveis pelo blackout do meu cérebro na semana passada sequer sabiam disso, sequer podiam supor que tudo só aconteceu porque não consigo suportar a idéia da existência de paredes.

Meu interesse por mulheres pouco sadias ficou patente diante da borrasca que caiu fazendo com que o sangue dos parapeitos escorresse para as calçadas. A mulher juntou restos de mangas podres e afastou um bicho faminto com os pés. Fiquei na dúvida entre ver o sangue e observar a mulher, mas segui caminho.

O rosto que se soltou da igreja, na Praça João Lisboa, gritou impropérios contra a classe política, mas, enquanto isso, uma disfunção erétil me levou a acreditar como Jeremiah Wright (e só nós dois) que o vírus das AIDS foi desenvolvido pelo governo norte-americano para dizimar os negros do mundo.

Agora o cheiro de morte é quase visível. Um casal de namorados transa, inocente, no relógio da Praça João Lisboa. Não tenho mais as imagens do homem de sangue nem da mulher pouco sadia. Mas sei que não há nada em nossa imaginação que ainda não tenhamos vivido. Em algum lugar e época, por culpa não se sabe de quem.

Alguma coisa se desloca de todas as teorias, como se um exército de intelectuais, sem razões a explicar, saísse em defesa de Hitler e Mussolini. Minha cabeça, cansada de História, não quer mais controlar essa vontade de ser imenso.

E esse conto, sem personagens definidos, sem começo nem fim, sem pé e sem cabeça, sem uma única intenção literária, se acaba porque é infinito. E se extingue porque não sou eterno.

INVENÇÕES DA NATUREZA

Minhas veias estavam partindo. O homem se demorava sangrando nos parapeitos da cidade e era perfeita a idéia de estar com a mulher dele.

Os responsáveis pelo blackout do meu cérebro na semana passada sequer sabiam disso, sequer podiam supor que tudo só aconteceu porque não consigo suportar a idéia da existência de paredes.

Meu interesse por mulheres pouco sadias ficou patente diante da borrasca que caiu fazendo com que o sangue dos parapeitos escorresse para as calçadas. A mulher juntou restos de mangas podres e afastou um bicho faminto com os pés. Fiquei na dúvida entre ver o sangue e observar a mulher, mas segui caminho.

O rosto que se soltou da igreja, na Praça João Lisboa, gritou impropérios contra a classe política, mas, enquanto isso, uma disfunção erétil me levou a acreditar como Jeremiah Wright (e só nós dois) que o vírus das AIDS foi desenvolvido pelo governo norte-americano para dizimar os negros do mundo.

Agora o cheiro de morte é quase visível. Um casal de namorados transa, inocente, no relógio da Praça João Lisboa. Não tenho mais as imagens do homem de sangue nem da mulher pouco sadia. Mas sei que não há nada em nossa imaginação que ainda não tenhamos vivido. Em algum lugar e época, por culpa não se sabe de quem.

Alguma coisa se desloca de todas as teorias, como se um exército de intelectuais, sem razões a explicar, saísse em defesa de Hitler e Mussolini. Minha cabeça, cansada de História, não quer mais controlar essa vontade de ser imenso.

E esse conto, sem personagens definidos, sem começo nem fim, sem pé e sem cabeça, sem uma única intenção literária, se acaba porque é infinito. E se extingue porque não sou eterno.

(othelinofilho@yahoo.com.br)

(othelinoneto@yahoo.com.br)

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