Um estudo inédito, apresentado durante congresso de cardiologia, revelou que os servidores da Universidade Federal do Maranhão estão propícios as doenças no sistema circulatório. A pesquisa mostrou que 50% dos servidores da Ufma são fortes candidatos a sofrerem de doenças cardiovasculares, doenças essas que alteram o funcionamento do sistema circulatório e que podem ser causadas por hábitos que agridem o coração ou as artérias.

A pesquisa foi realizada no ano de 2007 e teve a orientação do Dr. Pedro Muniz (Doutor em Medicina, Especialista em Cardiologia no Maranhão, Coordenador do Núcleo de Pesquisas em Cardiologia da Ufma) e o apoio do Hospital Universitário da Ufma. Foram entrevistados uma amostra representativa de todos os servidores , sendo que 52% eram do sexo feminino e 56% tinham o curso superior completo, dentre esses, 39% eram adeptos de dietas com restrição de sal e gordura e 31% praticavam algum tipo de atividade física.
Durante a análise, foi avaliada a etnia, escolaridade, renda familiar, hábitos de vida, peso, índice de massa corporal, pressão arterial, taxas de glicose, colesterol e triglicerídeos (principal gordura originária da alimentação).
Segundo os pesquisadores, no Brasil, a parcela da sociedade em que mais cresce a prevalência de obesidade, pressão alta e derrame é a parcela mais pobre da sociedade, a camada menos privilegiada. Isso acontece, quer seja pela falta de informação ou do baixo nível de escolaridade. Por outro lado a evolução cultural e socioeconômica também tem penalizado cruelmente as pessoas, uma vez que o homem moderno adquire com o tempo vícios típicos da vida em cidade grande, como sedentarismo, tabagismo, estresse que se acompanham de aumentos de derrame cerebral, ataques cardíacos, doenças renais e as doenças dos vasos periféricos. A pesquisa e o resultado foram divulgados no VIII Congresso de Cardiologia do Maranhão, que aconteceu no início de abril em São Luís.
Dados e resultados – O resultado mostrou que a taxa da pressão arterial dos pacientes analisados foi de 36,6 % (ligeiramente maior entre os homens), sendo que no Brasil as taxas variam de 22% a 44%, afetando mais os idosos, e geralmente está relacionada ao aumento de peso. Na pesquisa, aqueles que estavam acima do peso apresentavam três vezes mais risco de ter pressão alta. A taxa de pessoas que está acima do peso foi elevada (60%) e as mulheres tiveram mais obesidade central (75%). A maioria dos servidores tem vida sedentária (72%), quase 50% apresentam aumento de colesterol e triglicerídeos, 22% fumam (mais os homens 28,9%) e 9 % têm diabetes. Os pacientes diabéticos apresentaram altas taxas de pressão alta e aumentos do colesterol.
Segundo o pesquisador, ficou visível que, mesmo em população de nível cultural elevado, há elevada taxa de pressão alta, excesso de peso, aumento das taxas colesterol, sedentarismo, uma combinação perfeita para a ocorrência das doenças cardiovasculares. No entanto, é possível adotar medidas básicas de mudanças no estilo de vida e com isso mudar o prognóstico de vida dessas pessoas. A Ufma se dispõe a acompanhar esses pacientes, proporcionando toda a assistência com medidas preventivas como reeducação alimentar e orientação para a prática de atividades físicas.