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Editorial
O Maranhão no rega-bofe da tortura
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O Maranhão no rega-bofe da tortura

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Data de Publicação: 7 de maio de 2008
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Afirmo em plena consciência, sob a fé do meu grau, como cidadão, como cristão, que me sinto no dever de testemunhar, publicamente, que o hoje coronel Ustra, vulgo Dr. Tibiriçá, terá sido dos mais violentos repressores do regime militar imposto ao país, responsável pelas torturas e mortes no calabouço do DOI-CODI, durante os quatro ou cinco anos em que lá foi comandante. Guardo, em minha memória e no meu arquivo morto, capítulos terríveis de tortura e de morte por mim testemunhados no compulsar dos autos, nos relatos de testemunhas e de vítimas de violência”.

A solene declaração, do advogado e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, só estende para todos os extremos a vergonha que o Maranhão está passando neste momento. A matéria publicada no site Brasil de Fato, segundo a qual Sarney será testemunha de defesa desse afiliado das associações de Belzebu, é a mancha maior de toda nossa história política e ninguém parece estar se apercebendo disso.

Todos os poros da liberdade e do senso de Justiça se movem na presença de um torturador. E o que faz o Maranhão se incluindo nesse arrepiante episódio pela tripa cagaiteira, pelas sujeiras do esôfago?

O Departamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), foi o órgão da ‘inteligência’ e repressão do governo brasileiro durante o regime inaugurado com o golpe militar de 1964.

A terrível Doutrina de Segurança Nacional, destinada a combater o “inimigo interno” foi formulada no contexto da Guerra Fria, nos bancos do National War College, instituição norte-americana e aperfeiçoada no Brasil pela Escola Superior de Guerra.

Os DOI fizeram parte de um abominável programa de integração e reuniam, sob um único comando, militares das três Armas e integrantes das polícias militares estaduais, civil e federal.

Repetimos: em que contexto Sarney é testemunha de defesa de tão tenebroso inferno? Ele tem que explicar isso aos maranhenses.

O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra comandou aquele calabouço de 1970 a 1974 e, sem que houvesse necessidade disso, torturava pessoalmente os presos políticos. Para alguns desses monstros, a tortura é o verdadeiro orgasmo, a psiquiatria sabe disso. Os DOI foram responsáveis por prisões, seqüestros, desaparecimentos, ocultação de cadáveres. Somente sob comando do coronel Ustra, foram cometidos 40 assassinatos e mais de 500 pessoas foram torturadas.

Por que o nome do Maranhão precisa estar envolvido na defesa desse genocídio, em atos tão infames de bestialidade?

Maria Amélia Teles foi torturada durante 10 dias, na presença de seus filhos de 4 e 5 anos e exige do Estado brasileiro, onde torturadores parecem gozar de anistia plena e permanente, apenas que seja o monstro coronel Ustra declarado torturador oficialmente.

Diante do processo, o coronel ganhou um jantar de solidariedade para 200 talheres. O Maranhão não tem que comer as sobras desse pavoroso rega-bofe.

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