Talvez que a essas alturas dos acontecimentos já nem importem tanto os reais motivos do rompimento de José Reinaldo com o grupo político do senador José Sarney. Importa que com esse rompimento, José Reinaldo conseguiu atrair para a oposição um fluxo político tão forte que não respeitou sequer o controle midiático das mentes maranhenses.
O saldo desse enfrentamento, que custou a consumição moral pública de sua família, foi a vitória de Jackson Lago. Uma vitória cuja patente deve, sim, ter o nome do ex-governador, pela percepção política, dentre outras razões, de lançar três candidatos de oposição e pela oportunidade de despertar as elites para os riscos que também elas corriam, além do povo já sacrificado.
O Maranhão havia se tornado uma espécie de banco de fomento particular. E ninguém estava imune aos avanços sobre propriedades, à imposição de sociedades compulsórias, à delimitação do sucesso em carreiras políticas e empresariais, à ditadura midiática que colonizava uns e a outros transformava em fantoches.
Os recursos do Estado, financeiros e de outros tipos, até então concentrados nas mãos de uma única família, havia criado guetos de vassalagem e não apenas na semi-periferia da classe média, mas também nas mais diversas instituições, algumas historicamente dedicadas às lutas da liberdade e da autonomia.
Ideólogo, também, da Frente de Libertação, José Reinaldo pode ter evitado a ‘cesarização’ (relativo dos césares romanos) do Estado, pois a derrota de Jackson significaria a sagração definitiva de um império balcânico no Maranhão que, inocentemente, ainda tratamos por coronelismo. Mas não há notícia de que nenhum coronelismo tenha se tornado vitalício. O maoísmo se tornou; o castrismo ainda sobrevive, mas os coronelismos nordestinos do Brasil se esgotaram no espaço de uma ou duas décadas. No Maranhão foi diferente e sem José Reinaldo poderia ter sido bem pior.
Se Roseana vence, a parte da elite que decidiu optar por Jackson Lago seria engolfada numa camisa de força. Aliás, essa é uma ameaça que eles fazem aos deputados da base do Governo sempre que antecipam uma suposta cassação do governador Jackson Lago.
Muita gente cometeu o erro de não acreditar no rompimento de José Reinaldo no princípio. E até de achar que havia algum segredo, alguma armação por trás de sua rebeldia. Isso fez com que as teorias impostas, as chantagens e o canibalismo moral de José Sarney circulassem livremente até as eleições.
Não fosse assim e talvez a derrota de Roseana lhe fosse ainda mais dolorida. Nesse momento, quando um partido histórico de esquerda, o PCB, coloca o nome de José Reinaldo no centro da disputa eleitoral de São Luís, é bom não esquecer dessa história.
Podem responsabilizar José Reinaldo pelo tempo de sarneisismo assumido; não podem, no entanto, negar-lhe o espírito libertário que organizou e levou as oposições à vitória em 2006.