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Gospel
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Data de Publicação: 5 de maio de 2008
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“Na nossa procura incessante por um sentido, temos que continuar a ler livros e jornais de forma espiritual. A pergunta que deveríamos fazer sempre é a seguinte: “Por que é que vivemos?”. Todos os acontecimentos da nossa curta vida precisam ser interpretados. Os livros e os jornais servem para nos ajudar a ler os sinais dos tempos e a dar sentido à vida. Jesus diz: “Quando vocês vêem uma nuvem vinda do ocidente, vocês logo dizem que vem chuva; e assim acontece. Quando vocês sentem soprar o vento do sul, vocês dizem que vai fazer calor; e assim acontece. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente?” (Lucas 12.54-56). É este o autêntico desafio. Jesus não olha para os acontecimentos dos nossos dias apenas como uma série de incidentes e acidentes que pouco têm a ver conosco. Jesus olha para os eventos políticos, econômicos e sociais da nossa vida como sinais que apelam para uma interpretação espiritual. Precisamos lê-los espiritualmente! Mas como? O próprio Jesus nos mostra como. Certa vez, umas pessoas deram-lhe a notícia de que o governador Pilatos tinha executado alguns revoltosos da Galiléia e tinha misturado o seu sangue com o dos sacrifícios romanos. Ao ouvir isto, Jesus respondeu: “Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte, eram mais pecadores do que todos os outros galileus? De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo” (Lucas 13.2-3). Jesus não dá uma interpretação política dos acontecimentos, mas espiritual. Ele diz: “O que aconteceu convida-te à conversão!”. É esse o sentido mais profundo da história: um convite constante a voltarmos o coração para Deus e a descobrirmos o pleno significado da nossa vida”. (Henri Nouwen)

A interpretação espiritual da tragédia envolvendo a menina Isabella Nardoni nos convida a considerar aspectos da sociedade contemporânea: o adoecimento das estruturas familiares, das figuras parentais e das mais profundas relações humanas de afeto; a banalização da vida e a espetacularização da morte e do sofrimento; a cruel necessidade da criação de bodes expiatórios que desviem a atenção a respeito do mal inerente a todo ser humano para o mal presente em apenas alguns seres humanos; a força da mídia televisiva e seus conflitos entre a difusão da notícia, a educação da sociedade e a manipulação da informação por interesses questionáveis; a vulnerabilidade humana diante do mal social endêmico; as implicações nefastas e funestas do descarte dos valores sagrados; a fragilidade do ser humano para dominar o mal que o habita e discernir e sanar as enfermidades de sua psiquê, que gera o fenômeno “homem lobo do homem”; a absoluta carência de Deus como matriz de sentido para a existência e fonte de vida; dentre outros.

Deus é ao mesmo tempo senhor soberano e hóspede na história e no coração humano. Não reina sem ser convidado, não interfere sem ser chamado. Deus não invade, interpela – está à porta batendo, e seu anseio é entrar para colocar a casa em ordem e participar da mesa de comunhão onde a família é ambiente de paz, alegria e amor. Neste tempo de dor e sofrimento, caos e confusão mental, emocional, social e espiritual, Deus nos convida a dar lugar à vida que brota da cruz – seu Filho também foi vítima inocente, massacrado pela maldade humana e, justamente por isso, pode estender as mãos para oferecer cura e apontar caminhos de vida. Seu coração também foi dilacerado pela crueldade e, por esta razão, pode compartilhar o amor necessário às relações de perdão e reconciliação. Na cruz do Calvário pendeu o Cordeiro que tira o pecado do mundo: extirpa o mal do coração, para que a vida em família, amizade, comunidade e sociedade não fossem mais a guerra cruenta do jogo de todos contra todos, mas a dança singela, bela e amorosa entre Deus e seus filhos, todos eles de mãos dadas como irmãos.

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