Joãozinho Ribeiro
Dança sobre rodas: cadeirantes apresentando belíssimos espetáculos de ritmos maranhenses e mundiais. Moças e rapazes cegos e portadores da síndrome de dow jogando capoeira e desenvolvendo outras práticas artísticas. O “cordel urbano” dos camaradas do hip hop, cada vez mais participante e propositivo (Alexandre Pensador, Profeta, Pregador etc.). Dona Francisca do Lindó e da Mangaba, orgulhosa com o seu primeiro CD. A rapaziada do rock contagiante, da banda “Engenho Civil”. A poesia engajada e encharcada de vida e sentimento da poetisa Lília Diniz, enaltecida nacionalmente pelo consagrado compositor Xangai. Zeca Tocantins, o menestrel das águas, transbordante de versos e paixão. Neném Bragança, como cachaça pura de alambique – quanto mais maduro, mais criativo e universal.
Tudo isso e muito mais, coisas que não consigo traduzir em texto escrito e que jamais sairão do meu pensamento e do de todos que presenciaram, nesta última semana, o I FÓRUM DE CULTURA DE AÇAILÂNDIA (de 30/04 a 1º de maio) e o IV FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA DE IMPERATRIZ (de 02 a 03/05). Dois exemplos irrefutáveis da pujança, da criatividade e da riqueza cultural do nosso estado. Este último citado evento, testemunhado, em sua abertura, pelo Governador Jackson Lago, Marcelo Gouveia, representante do Ministério da Cultura, deputados federais e estaduais, Secretários de Estado (Cultura, Cidades, Trabalho e Economia Solidária, Esporte e Juventude, Desenvolvimento Regional do Sul), prefeitos...e a maciça presença de artistas, gestores, produtores e agentes culturais em geral, da cidade e municípios vizinhos.
Dias de festa e debates qualificados sobre a construção de políticas públicas de cultura para os respectivos municípios – Açailândia e Imperatriz. Em todas as intervenções dos participantes, o explícito compromisso de colocar na agenda das próximas eleições municipais a Cultura como questão central e estratégica para a melhoria da qualidade de vida da população.
Ao mesmo tempo que constamos o grande avanço que ganha o debate sobre a Cultura em todos os cantos do estado, é com imenso pesar também que constatamos o desprezo de alguns prefeitos que preferem gastar (pasmem!) 1milhão de reais em “folias fora de época”, entupindo de recursos públicos cantores e bandas consagradas de outros estados, virando, literalmente, as costas para a rica produção artística de seu próprio município.
Felizmente, nem todos seguem esses péssimos exemplos. Tanto isso é verdade, que nos próximos dias 22, 23 e 24 de maio a cidade de Porto Franco estará sediando o “Fórum Estadual de Gestores de Cultura do Maranhão do Sul”, com a previsão de participação de 49 municípios. Na pauta, além de importantes painéis sobre temas atualíssimos (Conselhos de Cultura, Políticas Públicas de Cultura, Mapeamento Cultural); oficinas (Elaboração de Projetos, Pontos de Cultura, Bibliotecas Públicas, Relatos de Experiências), uma vasta programação cultural, com o que há de melhor naquela região.
Motivos de orgulho e entusiasmo não faltam para a equipe da Secretaria de Estado da Cultura constatar que a política de “Descentralização das Ações Culturais” está indo no rumo certo e que assume destacdo papel, daqui por diante, na elaboração das políticas públicas dos municípios. Este entusiasmo foi igualmente compartilhado pelas centenas de artistas e produtores culturais que participaram dos dois eventos, onde foram lançados dois importantes Editais Públicos de apoio à produção artística e cultural do estado:
a) Edital de Seleção para Pontos de Cultura do Maranhão, em parceria com o Ministério da Cultura (no valor de 4,9 milhões de reais, somente para 2008);
b) Edital de apoio à Produção, Circulação e Formação (com recursos próprios do Estado, no valor de 1,2 milhões de reais).
São ações concretas, que abrangerão todas as regiões do estado, permitindo que a “Cultura do Maranhão” finalmente “atravesse o Estreito dos Mosquitos”.
Pena que muitos gestores públicos municipais ainda não compreendam o papel estratégico que tem a Cultura na agenda de desenvolvimento de suas respectivas cidades, alguns até blasfemam, afirmando que seu município não possui cultura, enquanto disponibilizam ao longo do ano cifras consideráveis para eventos que duram, no máximo 3 dias, que drenam toda a economia da cidade, esvaziando os cofres das prefeituras e, o que é pior, tornando invisível e envergonhada a cultura local.
Este entendimento míope está sendo combatido veementemente em todo território nacional e, graças a Deus e aos santos milagreiros de todos os nossos terreiros culturais, esta história mal contada, que às vezes até coloca a culpa na própria população (“o povo sabe o que quer”), está sendo substituída, de forma equilibrada e consciente, por uma outra, complementada pela sapiência do Ministro Gilberto Gil, com a qual comungam a esmagadora maioria dos Secretários Estaduais de Cultura do Brasil:
“O povo sabe o que quer, mas quer também o que não sabe!”.
O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.