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Projeto espacial em Alcântara é um desastre, diz pesquisadora
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Projeto espacial em Alcântara é um desastre, diz pesquisadora

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Data de Publicação: 1 de junho de 2008
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POR OSWALDO VIVIANI

EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA OU ENTREGUISMO?

Para Maristela Andrade, da Ufma, o ‘aluguel’ de áreas de um futuro Centro Espacial para outros países vai sufocar as comunidades quilombolas

A professora do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Maristela de Paula Andrade, classificou de “desastre” o projeto do governo federal de construir em Alcântara um Centro Espacial (CEA) para abrigar bases de outros países. Segundo a pesquisadora, o projeto vai “imprensar” ainda mais as comunidades tradicionais da área (quilombolas, na maioria), sufocando-as e fazendo com que elas optem por abandonar suas terras.

Entrada do CLA: vias com pavimentação impecável e total infra-estrutura

Povoado Muricizal, a 4 km do CLA, onde 20 famílias vivem sem água, luz e esgoto

Maristela Andrade – que abordou o assunto durante um ciclo de palestras promovido pela deputada estadual Helena Heluy (PT) – admitiu que o Brasil “vai ganhar dinheiro” alugando áreas de Alcântara para que outros países realizem seus lançamentos espaciais, mas questionou: “A Casa Civil do governo federal adotou o projeto da Agência Espacial Brasileira. E quem vai adotar as populações que vivem na área?”.

Para a pesquisadora, se toda a faixa do litoral de Alcântara for fechada – como previsto no projeto de construção do Centro Espacial – e entregue aos países que se servirão do território brasileiro para tocar seus projetos espaciais, vai faltar alimento não só para as comunidades de Alcântara, mas também nas agrovilas para onde foram levados os primeiros deslocados e que são supridas por esses povoados.

Até mesmo na capital maranhense, São Luís, a falta de produção de alimentos em Alcântara poderá ser sentida. “Na capital, também se come peixe trazido de Alcântara”, afirmou a professora Maristela. “A área de influência do desastre provocado pela construção do Centro Espacial vai alcançar São Luís”, completou a pesquisadora.

(Com informações do Jornal do Sintrajufe - Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal)

Comunidades tradicionais são vistas como obstáculo

O Centro Espacial de Alcântara consiste na implantação de três áreas de lançamento, com duas plataformas de cada uma. Junto a essas áreas, há ainda o projeto de implantação de um local institucional, dotado de infra-estrutura, como universidades, lojas e espaço urbano. Toda a faixa do litoral de Alcântara será ocupada pelo projeto.

Remanescentes de quilombos: sufocados pelo Centro Espacial

O problema é que há um “entrave social” ao CEA: as áreas pretendidas para o projeto hoje estão ocupadas por mais de uma centena de comunidades, que ocupam a região há quase 200 anos.

A idéia inicial era retirar todas as comunidades. Como isso ocasionaria fatalmente um desgaste na imagem do governo, optou-se por adaptar o projeto, deixando, entre uma área e outra, “corredores” para que a população possa se movimentar. No entanto, as próprias comunidades sabem que o plano dos tais corredores implica numa expulsão sem uso da violência: pesquisadores contam já ter ouvido dos moradores que eles sabem que serão “imprensados” e “sufocados” por essas áreas de lançamento, até resolverem sair “voluntariamente”, por falta de condições de continuar a viver no local.

(Com informações do Jornal do Sintrajufe)

FHC também já tentou alugar Alcântara aos 'gringos'

A tragédia anunciada do Centro Espacial de Alcântara lembra uma outra, abortada pela resistência da sociedade civil durante governo Fernando Henrique Cardoso. O projeto tucano consistia em ceder uma área em Alcântara – cobiçada em programas espaciais do mundo todo, pela posição privilegiada em relação à Linha do Equador – aos Estados Unidos, para uso sem nenhum controle por parte do governo brasileiro, ferindo a soberania nacional.

Agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta com idéia semelhante. A novidade no projeto do governo petista é a construção, em Alcântara, de um Centro Espacial (CEA), formado por áreas de lançamento “civis”, que passariam a existir independentemente do já instalado Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), que é militar.

O projeto do CEA significa, nada mais nada menos, que ceder áreas para que outros países possam fazer seus lançamentos espaciais. Ou seja: alugar para que outros utilizem o território.

Já há até acordo firmado entre Brasil e Ucrânia para lançamento de artefatos espaciais pelo país europeu, a partir de Alcântara. Embora este acordo oficialmente refira-se ao CLA, há todo um projeto em andamento para instalação do CEA. Estudos estão sendo feitos e técnicos já se encontram em Alcântara fazendo perfurações do solo em áreas externas ao CLA. O trabalho, aliás, vem sendo feito de maneira ilegal: para perfurar o solo alcantarino seria necessária autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que até hoje não foi apresentada.

A empresa que comanda todo o processo de implantação da base ucraniana é a Alcântara Ciclone Space (ACS), uma empresa binacional (Brasil/Ucrânia) que abriga outras empresas contratadas – entre elas, a Atec, a mesma do escândalo Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), dos tempos do governo Fernando Henrique Cardoso, a Geocret e a Terrabyte.

Com a ACS à frente de todo o processo, fica mais fácil para o governo federal fugir dos questionamentos sobre o projeto, pois quem aparece são empresas privadas. A professora Maristela Andrade classifica essa relação entre o governo e as empresas de “promiscuidade”, na qual “ninguém se responsabiliza”.

(Com informações do Jornal do Sintrajufe)

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