A reflexão de um blogueiro descendente de alemães segundo a qual, a rigor, cada bebê que nasce a mais do que um homem que morre é nocivo à natureza, pois irá consumir alimentos e bens que precisarão ser produzidos, transportados e consumirão energia e recursos naturais, talvez explique o estranho paradoxo entre produção de energia e preservação do Meio Ambiente.
Até o ano de 2002 a política energética conduziu ao aumento das tarifas, à redução dos investimentos nesse imprescindível setor da economia e ao racionamento. Até um seguro apagão foi criado, onerando o consumidor, com o fim de indenizar as concessionárias por alegados prejuízos e criar um fundo para consumar alternativas que produziriam energia mais cara que as hidrelétricas, com destinação restrita a cobrir períodos hidrologicamente desfavoráveis (secas).
Naturalmente que alternativas há para uma política energética ecologicamente mais saudável e economicamente mais ajustada à estrutura produtiva do país.
Lembra Valéria Comitre que o desenvolvimento de novas técnicas agrícolas gerou avanços na produtividade, mas atingiu alto padrão de consumo energético provocando o impasse entre a necessidade urgente de geração de energia elétrica e os danos de ordem ambiental que podem advir.
O Movimento dos Atingidos pelas Barragens acusa o governo de conduzir o setor elétrico sem pesquisa e sem planejamento e de entregá-lo à iniciativa privada, mas ao mesmo tempo afirma que o governo baseia a produção de energia somente em hidrelétricas, embora este país tenha um potencial energético muito rico em rios, sol, ventos e biomassa.
O debate é envolvente, pois se coloca de um lado a necessidade do aproveitamento racional desses recursos energéticos, do outro a expansão da economia que obriga o Brasil a aumentar em pelo menos 5% a oferta de energia ao ano. Em artigo publicado em 26 de março de 2008, Ângela Pimenta escreveu que a expansão da economia é um grande feito, tanto para as camadas mais pobres da população, que passam a ter acesso a bens como eletrodomésticos, quanto para a indústria brasileira, que os produz. Só que esse fenômeno tem um lado preocupante – o aumento do consumo de energia elétrica que somente em 2007 foi de 6,5 %. Para atender a esse consumo, governo e setor produtivo estão numa corrida contra o tempo.
As projeções são de que o consumo de energia elétrica deve, num cenário conservador, crescer no mínimo 5% ao ano até 2012. E quando se fala em expansão da economia e aumento da produção industrial, estamos falando de progresso e desenvolvimento.
Qualquer movimentação nesse sentido implica em expandir as fontes de energia, até porque, com ou sem o “espetáculo do crescimento”, a indústria no Brasil consome 48,4% da energia, o setor residencial apenas 25,3% do consumo e o restante é distribuído entre comércio e serviços (13,5%) meio rural (3,8%) e serviços públicos (8,7%).
Mas é preciso que se tome cuidado, pois tem-se a impressão de que para todo projeto desenvolvimentista que se pretende instalar no Maranhão estão fazendo uma projeção de fim de mundo. Assim foi com o Pólo Siderúrgico, assim com a Hidrelétrica de Estreito, assim será com a Refinaria da Petrobrás, com o gasoduto e com o estaleiro para fabricação de navios, acalentado pelo governador Jackson Lago. Os cuidados com o frágil ecossistema de São Luís são imprescindíveis, mas precisamos ter mais cuidado na hora de mobilizar os pobres contra o progresso apenas lhes sobrecarregando de projeções futuristas catastróficas que na maioria das vezes não tem qualquer embasamento científico.