A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou ontem o projeto de resolução encaminhado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que considerou inconstitucional a prisão do deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ). O advogado Manoel de Jesus Soares, que defende Lins, informou que o deputado foi libertado no final da tarde de ontem. O projeto foi aprovado com 40 votos favoráveis, 15 contrários e nenhuma abstenção. Para ser aprovado, o projeto precisava de 36 votos. A Assembléia do Rio tem 70 deputados, 17 deles do PMDB, que tem a maior bancada.
De acordo com a assessoria da Alerj, Lins – preso na quinta-feira pela Polícia Federal – tem de ser solto imediatamente a partir da aprovação do projeto de resolução. O argumento é que Lins tem foro privilegiado e por isso sua prisão precisa da aprovação da Casa Legislativa para ser efetivada.
Ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Lins foi preso em flagrante pela Polícia Federal. Documentos encontrados comprovariam o envolvimento de Lins em um suposto esquema de ajuda a criminosos. Pela lei, o deputado tem imunidade e pode ser preso somente em flagrante, o que foi configurado. A legislação também determina que, uma vez preso, é a Casa Legislativa quem decide se ele permanece na cadeia.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, criticou a revogação da prisão de Lins. “Traz perplexidade à sociedade a possibilidade de se cassar uma decisão proferida pelo Judiciário por um ato político, que tem muito mais a aparência de corporativista e coleguismo inoportuno do que uma reação a uma suposta decisão arbitrária e ilegal da Justiça”, disse.
Prisão – O TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região decretou a prisão de dez pessoas, e o Ministério Público Federal denunciou 16, incluindo o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB).
Para a PF e a Procuradoria, Lins e Garotinho mantiveram um esquema com policiais corruptos que protegia os contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio na guerra pelo controle de caça-níqueis no Rio.
Segundo a PF, o grupo utilizava delegacias estratégicas, principalmente a de Proteção ao Meio Ambiente, para as ações.
Corrupção – Os bens que, segundo a Polícia Federal e a Procuradoria Regional da República no Rio pertencem ao deputado estadual Álvaro Lins, do PMDB, foram seqüestrados pela Justiça sob a acusação de terem sido comprados para lavagem de dinheiro. De acordo com a PF e o Ministério Público Federal, para lavar o dinheiro supostamente recebido dos contraventores, Lins adquiria bens em nome de familiares e conhecidos – daí a prisão do ex-sogro e da ex-mulher dele.