Um avião vindo de El Salvador com 124 pessoas a bordo derrapou ao aterrissar no aeroporto de Toncontín, em Tecucigalpa (Honduras) ontem, chocando-se contra veículos que trafegavam na área e matando ao menos três pessoas – entre elas o presidente do BCIE (Banco Centro-Americano de Integração Econômica), Harry Brautigam.
O airbus 320 havia decolado de San Salvador às 8h30 (11h30 de Brasília). A maior parte dos passageiros era de Honduras, El Salvador e Costa Rica. O vôo tinha escala prevista em Tegucigalpa e em San Pedro Sula antes de seguir para Miami (Flórida), nos EUA.

Segundo fontes médicas, Harry Brautigam morreu em decorrência de problemas cardíacos logo após a derrapagem, de acordo com Tito Alvarado, diretor do Hospital Escola de Tegucigalpa.
O piloto tinha nacionalidade salvadorenha. Ao menos outras 18 pessoas se feriram quando o avião da companhia Taca se chocou contra uma barreira antes de atingir os veículos.
De acordo com a rede BBC, o embaixador do Brasil em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, ficou ferido no acidente. Ele quebrou uma perna. A embaixatriz do Brasil em Honduras, Janet Shantal Neele, também é uma das vítimas fatais do acidente aéreo de ontem em Tegucigalpa, capital hondurenha.
Bombeiros retiraram ao menos dois veículos que ficaram presos nos restos do avião.
Mais de dois galões – 7.500 litros – de gasolina vazaram da aeronave, e autoridades tentaram manter os curiosos que se aglomeraram no local a distância.
“O combustível poderia causar uma explosão, ocasionando uma tragédia ainda maior”, disse o porta-voz do Ministério da Segurança de Honduras, Ivan Mejia.
Um dos sobreviventes, Roberto Sosa, 34, contou à agência de notícias Associated Press o que ocorreu. “Nós aterrissamos e, de repente, houve um estrondo muito forte”, contou.
Mau tempo – As causas do acidente não foram imediatamente esclarecidas. Segundo o ex-ministro hondurenho da Indústria e do Comércio, Norman García, o mau tempo pode ter contribuído.
A pista do aeroporto estava molhada devido às chuvas causadas pela tempestade Alma. “Foi uma aterrissagem difícil, devido à nebulosidade na área do aeroporto de Toncontin. O teto das nuvens estava bem baixo”, disse García, que estava na aeronave e saiu ileso.
Segundo ele, o piloto já havia tentado aterrissar uma vez, mas teve que alçar vôo novamente. “Na segunda tentativa [de aterrisagem], vi que as rodas do avião haviam tocado um local muito adiantado da pista”, disse ele à rádio local. Rodeado por montanhas, o aeroporto de Toncontin é considerado um dos mais perigosos do continente, de acordo com especialistas em aeronáutica.
Foi o oitavo acidente com aeronaves da companhia salvadorenha Taca desde 1959. No entanto, apenas outros dois – um ocorrido neste ano em Manágua e outro em 1998 nos Estados Unidos – haviam deixado mortos.